Cerca de mil pessoas participam do enterro de Júlio Redecker

Deputado tucano é uma das vítimas da tragédia com o avião da TAM, que matou mais de 190 pessoas

Marcelo Auler, do Estadão,

20 de julho de 2007 | 21h50

Cerca de mil pessoas participaram na noite da última sexta-feira, 20, do enterro do corpo do deputado federal Júlio Redecker (PSDB-RS), de 51 anos, uma das vítimas do vôo da TAM. O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ficou ao lado do caixão desde que ele saiu em São Paulo até o sepultamento no cemitério Jardim da Memória, em Novo Hamburgo, a 50 quilômetros de Porto Alegre.   Veja também:   Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054     Redecker viajara a São Paulo para um encontro com Chinaglia, com que faria uma viagem oficial a Washington. O corpo chegou a Porto Alegre à 0h30 desta sexta-feira. Foi recebido pela mulher do deputado, Salete, e pelos filhos, Lucas, de 26 anos, Mariana, de 23, e Victória, de 16, no aeroporto Salgado Filho. Também estava lá o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), que chegara de Fortaleza. Cercado de batedores da brigada militar, o caixão foi levado para o Palácio Piratini, sede do governo estadual, onde a governadora Yeda Crusius (PSDB) o recebeu à 1 hora, na entrada principal.   Centenas de gaúchos desfilaram pelos salões do palácio durante o dia, despedindo-se do líder da minoria na Câmara, entre eles alguns notórios adversários, como o ex-governador Olívio Dutra (PT), o ministro da Justiça e ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, o senador Pedro Simon (PMDB) e a deputada Luciana Genro (PSOL-RS). "A morte de Redecker e de todas as vítimas do acidente é resultado da inoperância e negligência do governo e da ganância das empresas aéreas. Poderiam ter sido evitadas. O que mais me entristece é o sentimento de impotência, pois desde o início da CPI estamos juntos com os controladores de vôo alertando e lutando, e nada foi feito", disse Luciana.   Impressionou a quantidade de coroas vindas dos mais diversos pontos do Estado com despedidas assinadas por empresas, entidades empresariais e muitos políticos. Foi necessário um caminhão específico para levá-las a Novo Hamburgo. O cortejo para a cidade sofreu atraso à espera do governador mineiro Aécio Neves (PSDB), que chegou acompanhado de seis deputados estaduais.   Em Novo Hamburgo, cidade com 257 mil habitantes, um dos principais pólos industriais do Rio Grande do Sul e reduto eleitoral de Redecker, o caixão foi transportado em um caminhão do Corpo de Bombeiros pelas principais avenidas. Algumas pessoas aplaudiam, outras acenavam com folhas de papel brancas. Apenas dois deputados fizeram discursos lembrando a carreira política de Redecker, Chinaglia e o líder do PSDB na Câmara Federal, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP).   Ambos disseram que, embora o líder da minoria fosse um político duro na defesa de seus princípios, era um adversário leal. O ex-deputado Eduardo Paes (PSDB), secretário de Esportes do governo do Rio, participou do enterro.   Os pastores Walter Altmann e Alberto Becker, da igreja luterana, à qual a família Redecker era assídua freqüentadora, foram encarregados das orações antes de o caixão descer à sepultura. E coube, por fim, à antiga secretária do deputado, Michele Kuhn, que há sete anos o acompanhava em Novo Hamburgo, e agora o estava auxiliando na liderança da minoria, cantou a música Amigos para Sempre.

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