Centro vai ganhar condomínios-clube

Até o fim do ano, região do Bom Retiro e o entorno do Parque Dom Pedro II devem receber 2,5 mil moradores com alto poder aquisitivo

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

26 Março 2011 | 00h00

Grandes construtoras vão erguer megacondomínios para a classe média alta em áreas do centro de São Paulo consideradas degradadas. Os novos alvos são o Bom Retiro e o entorno do Parque Dom Pedro II - duas regiões ainda marcadas por galpões industriais, comércio popular e viciados em crack.

Serão pelo menos três lançamentos neste ano, que devem trazer cerca de 2,5 mil novos moradores com alto poder aquisitivo para uma região que não recebe grandes empreendimentos há mais de uma década. Todos os prédios serão no padrão condomínio-clube e vão ter facilidades como piscina, área de fitness, espaço para massagem, funcionários para cuidar de cachorros e bichinhos de estimação e até pomar e orquidário.

Para atrair potenciais compradores, as construtoras usam táticas já consagradas do ramo e até maquiam os arredores no material de divulgação. É o que acontece no Smart Downtown Living, por exemplo, empreendimento lançado no início do ano na Avenida Rangel Pestana, a poucos metros do Parque Dom Pedro II.

O stand de vendas mostra um centro bonito e tradicional, com fotos da Estação da Luz, da Pinacoteca e do Mercado Municipal. Já "na vida real", trabalhadores, mendigos e noias andam para lá e para cá, em meio a cortiços, galpões, fábricas e lojas de comércio atacadista.

O mesmo acontece nos arredores do Aquarela Paulistana e do Central Life, prédios que serão lançados ainda neste ano no Bom Retiro pelas construtoras Queiroz Galvão e Gafisa. Nos materiais de divulgação, o bairro é descrito como "tradicional" e representado com certo bucolismo. Mas, a poucos quarteirões dali, sacos de lixo deixados pelas confecções e lojas de costura se amontoam nas esquinas e são revirados pelos moradores de rua da cracolândia.

Apesar do contraste, as construtoras garantem que as vendas estão superando as expectativas e dizem já estar procurando mais terrenos para mais empreendimentos na região. Só no lançamento do Parque Dom Pedro II, metade dos 260 apartamentos já foi vendida - e a expectativa dos corretores é de que tudo esteja comercializado nas próximas semanas.

Mudança. Para Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), a volta de grandes lançamentos imobiliários no centro é um caminho sem volta. "O preço do terreno está cada vez mais caro em regiões onde o mercado imobiliário já atuava com consistência, como Vila Mariana e Aclimação. E nesses locais no centro os valores ainda não subiram tanto", explica.

Ele diz que a falta de segurança no centro ainda é grande, mas o padrão condomínio-clube ajuda a driblar esse problema. "Como os prédios têm tudo o que se precisa lá dentro, a família pode ficar fechada no condomínio que não tem problema."

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