Centro tem apagão por oito horas

Na região da 25 de Março, semáforos apagaram e lojas ficaram no escuro, sem sistema de cartão. Sem concorrência, camelôs lucraram

Felipe Oda, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

Ruas e avenidas do principal centro de comércio popular de São Paulo, na região da Rua 25 de Março, permaneceram às escuras ontem por mais de oito horas. A queda de energia elétrica desligou sinais de trânsito e também prejudicou comerciantes e clientes.

O fornecimento de eletricidade foi interrompido por volta das 10h20, segundo a AES Eletropaulo. Até as 18h40, imóveis das Ruas 25 de Março, Washington Luís, 3 de dezembro, Mauá, Floriano Peixoto e do Carmo continuavam sem luz.

A concessionária não soube informar o número de clientes afetados pela queda de energia. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a AES Eletropaulo informou apenas que "uma falha na rede subterrânea" é a provável causa da queda de eletricidade. Para tentar resolver o problema, 11 equipes foram deslocadas para a região central.

Sem luz, comerciantes foram obrigados a fechar as lojas mais cedo e controlar a entrada de clientes. "As máquinas dos cartões de débito e crédito pararam de funcionar. Só permitimos a entrada de clientes que pagarão em dinheiro", avisava aos compradores o gerente de uma loja de esportes na 25 de Março, Waldir Lopes.

Em diversas lojas, os funcionários chegaram a colocar fitas nas portas para evitar que os clientes entrassem. "Precisamos controlar a entrada para que não ocorra roubo de mercadorias. A loja está muito escura", afirmou Anadira Miranda, vendedora de uma papelaria.

Lucro. Mas enquanto os lojistas reclamavam, os camelôs se beneficiavam da queda de energia. "Comigo é no dinheiro e a luz da minha loja é natural. Apagão aqui não tem efeito", ironizou Marcos De Moreira, de 21 anos, camelô de uma barraca de bijuterias.

Graças aos ambulantes, o prejuízo financeiro da sacoleira Lucinete Blanck, de 37 anos, não foi maior. "Trabalho com encomendas e amanhã (hoje) as clientes não vão querer saber de queda de energia. Elas querem os produtos. Ainda bem que algumas coisas eu consegui encontrar nas barracas dos camelôs", disse Lucinete.

Uma vez por mês, a sacoleira deixa Santa Tereza, no Espírito Santo, para buscar bolsas, blusas e bijuterias no centro de São Paulo. "Mesmo assim, terei de reembolsar algumas clientes. Não consegui comprar o que elas pediram e ainda gastei o dinheiro com a passagem de ônibus", afirmou a capixaba.

Mais confusão. O trânsito também ficou comprometido na região. Semáforos das Ruas 25 de Março e Boa Vista e das Avenidas Senador Queirós e 15 de Novembro apagaram ou apenas ficavam piscando com a queda de energia elétrica.

Agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) trabalhavam no centro para tentar consertar os equipamentos. O número de sinais de trânsito desligados não foi divulgado.

RUAS AFETADAS

Sem energia

Rua Mauá

Rua Paula Sousa

Rua Washington Luís

Rua Carlos de Sousa Nazaré

Ladeira Porto Geral

Rua Lucrécia Leme

Rua Comendador Abdo Schahin

Rua General Carneiro

Rua Barão de Duprat

Rua 15 de Novembro

Rua Anchieta

Rua Floriano Peixoto

Avenida Rangel Pestana

Rua do Carmo

Sinais apagados

Avenida Senador Queirós

Rua 25 de Março

Rua General Carneiro

Avenida Rangel Pestana

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.