Centro será legado da Igreja

Serviço para dependentes terá recursos da Itália

Clarissa Thomé / Rio, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2013 | 02h06

Erguido com recursos da Conferência Episcopal Italiana, o serviço de atendimento a dependentes químicos que o papa Francisco visitará é considerado pela Arquidiocese do Rio o principal legado da passagem do pontífice pelo Estado. Serão 65 leitos de internação e outros 13 de emergência, em um serviço inédito na cidade. Parte das vagas será destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas o número ainda não foi estabelecido.

Ao custo de R$ 2,5 milhões, o Polo de Atenção Integral à Saúde Mental (PAI) ocupará um prédio de quatro andares do Hospital São Francisco de Assis, na Usina, zona norte. Os pacientes poderão ficar internados entre 30 e 60 dias. Depois disso, serão encaminhados para atendimento em 25 comunidades terapêuticas. O acompanhamento com psiquiatras continuará a ser feito no PAI.

"Nós temos consciência de que a dependência química é um problema do organismo, que se trata com medicamentos, acompanhamento psiquiátrico. Não adianta falar para o paciente: 'Tenha força!'. É uma doença e é assim que lidamos", afirmou Frei Paulo Batista, diretor do hospital.

Reforma. O prédio do PAI, que já abrigou um lar geriátrico, está sendo reformado. Além de itens de segurança, que incluem a substituição dos vidros das janelas por venezianas, a unidade ganhará uma área de recreação - espaço com paisagismo onde serão realizadas oficinas terapêuticas e atividades físicas.

"Seguimos a inspiração franciscana. São Francisco abraçava os leprosos. As chagas da sociedade hoje são a dependência química", afirmou Frei Paulo. Quatro psiquiatras estão em Presidente Prudente (SP), fazendo estágio no PAI fundado na cidade há 27 anos, por onde já passaram 30 mil pessoas.

Faz pouco mais de dois anos que a Associação Lar de São Francisco de Assis na Providência de Deus assumiu a gestão do hospital, antigo Ordem Terceira da Penitência. Herdou R$ 140 milhões em dívidas. Apenas quatro leitos de UTI estavam abertos e não havia alimentos para preparar refeições.

As principais dívidas foram quitadas com a venda de imóveis. O restante está sendo negociado. Hoje, a instituição centenária funciona com 648 leitos, 56 de UTI, e 11 centros cirúrgicos. Cerca de 20% do movimento do hospital é de pacientes do SUS. Até 2011, a instituição só atendia convênios e particular.

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