Centro de SP sofre com falta de banheiros

Prefeitura gastou mais de R$ 100 mil em reformas, mas locais continuam fechados

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

Apesar de a Prefeitura ter gastado mais de R$ 100 mil em reformas há apenas dois anos, não existe hoje nenhum banheiro aberto mantido pela Prefeitura em locais de grande movimento do centro.

Essa carência faz com que pedestres e sem-teto transformem em sanitários cantos de parede e outros locais mais escondidos da região. E a sujeira se espalhe.

Um dos piores focos é justamente ao redor dos banheiros municipais fechados do Anhangabaú - área onde antes funcionavam chafarizes rodeados por um gramado florido. O verde, no entanto, foi substituído por um tapume que bloqueia todo o local há um ano. Com isso, a área virou uma espécie de banheiro a céu aberto - há urina, fezes e lixo por todo lugar, além de uma horta improvisada por moradores de rua.

Um documento enviado pela Prefeitura à Câmara Municipal em maio do ano passado registra que R$ 108 mil foram gastos na reforma desses banheiros. Segundo William Porto, do Movimento Voto Consciente, eles não ficaram nem seis meses abertos. "Semanas depois do requerimento, a Prefeitura colocou os tapumes."

O mesmo documento informa que dois outros banheiros públicos funcionavam no centro à época: um na Praça da República, que também havia sido reformado há pouco tempo, e outro na Praça Fernando Costa - o único que ainda funciona atualmente, mas cuja manutenção desde a construção em 1999 não é feita pela Prefeitura, mas sim por quatro pessoas pagas por camelôs.

Para manter o serviço, os funcionários recebem cerca de R$ 30 por mês de 12 barracas de vendedores, além dos R$ 0,60 cobrados de cada cliente. Dinalva Santiago, que trabalha ali desde a construção dos banheiros, estima que o total arrecado por mês é cerca de R$ 3,5 mil - valor 30 vezes menor que o total gasto nos sanitários do Anhangabaú há dois anos. Ainda assim, o banheiro na Praça Fernando Costa funciona há 11 anos, é limpo, bem cuidado e tem até vasos de flores e decoração caseira nas paredes. "O segredo é ter carinho", diz Dinalva.

Outro lado. A Prefeitura informou que a área do banheiro no Anhangabaú serve como apoio a obras em um local vizinho e por isso foi fechada por tapume. A reportagem, no entanto, não viu equipamentos de construção ou trabalhos no local. A administração municipal disse ainda que realiza varrição e lavagem do Vale do Anhangabaú diariamente e instalou banheiros químicos e chuveiros na tenda da Secretaria de Assistência Social voltada a moradores de rua no Parque Dom Pedro.

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