Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Centro de SP: fechado para visita nos fins de semana

Principais marcos da capital paulista têm horários restritos nos dias mais adequados para turistas e moradores da cidade

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2011 | 00h00

"O Prédio Martinelli é tão grandioso que possui três entradas", diz o texto no site de um dos edifícios-símbolo da verticalização de São Paulo, na Rua Libero Badaró, no centro. O problema é que, assim como outras atrações turísticas do centro, as três entradas do Edifício Martinelli passam parte do fim de semana - ou todo - fechadas para visitação. O mesmo acontece com a Torre do Banespa e com o Edifício Sampaio Moreira.

Uma das mais belas vistas de São Paulo, do alto do 34.º andar do Edifício Altino Arantes (mais conhecido como Torre do Banespa, hoje administrado pelo Banco Santander), está praticamente inacessível até para o paulistano: as visitas ocorrem apenas de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. Os professores Bruno Pereira, Aline Sousa e Diná Almeida, todos de São Paulo, deram com a cara na porta no último sábado, quando aproveitaram o intervalo de um curso que faziam no fim de semana para visitar o prédio.

"Era o único horário que a gente tinha. Dia de semana é inviável para quem trabalha", disse Bruno.

No mesmo sábado, depois de também não conseguir subir no Altino Arantes, a artista plástica Márcia Collarile seguiu para o Martinelli. O prédio, concluído em 1934 e tombado pelo patrimônio histórico municipal, tem um terraço que dá vista para toda a cidade - mas só fica aberto até as 13h do sábado. "Estou decepcionada", disse Márcia, que chegou lá com o sobrinho por volta das 13h30.

O edifício já foi o segundo prédio mais alto de São Paulo, com 26 andares e mais quatro, somando a cobertura e o casario construído no topo. Trezentos metros adiante está o primeiríssimo arranha-céu da metrópole - o Sampaio Moreira, com impressionantes (para a época) 13 andares -, que hoje abriga um coletivo de artistas que trabalha e promove exposições no interior do prédio. Mas, de novo, o terraço tem horário limitado para visitação, de quarta a sábado.

Não pela altura, mas pela localização estratégica no centro é que a paisagem em volta desses três prédios em particular impressiona - deles ainda dá para ver os últimos andares do quase finado São Vito (em fase de demolição), o Mercado Municipal, o art nouveau do Viaduto Santa Ifigênia, o Vale do Anhangabaú, o Viaduto do Chá, o traçado de Niemeyer no Copan.

É do Sampaio Moreira que se tem uma das mais bonitas visões para outro estandarte do turismo histórico de São Paulo: o Teatro Municipal. Mas ele também está fechado para visitação desde 2009. Não muito longe dali, o Solar da Marquesa de Santos - onde morou Maria Domitila de Castro Canto e Melo, amante de d. Pedro I - é outro lugar fechado para reforma há dois anos.

Há um único prédio em todo o centro de São Paulo onde ainda se pode subir para apreciar a vista da cidade todos os dias da semana, das 12h à meia-noite: o Edifício Itália, na Avenida Ipiranga. Mas a administração cobra uma taxa de R$ 20 pela visão panorâmica do 46.º andar. De segunda a sexta, das 15h às 16h, é de graça.

Informações. Além de pouco amigável para os visitantes de fim de semana, o centro histórico de São Paulo é mal sinalizado turisticamente: nada de placas ou mapas de fácil distribuição que orientem o passeio.

O Centro de Informações Turísticas (CIT) que existia na Praça da República, mantido pela São Paulo Turismo (SPTuris), foi demolido por causa das obras da Linha 4-Amarela do Metrô. Há um centro em funcionamento no Mercado Municipal e um segundo na Galeria Olido, na Avenida São João - estes são os únicos que funcionam na região do centro velho. Eles abrem diariamente, das 9h às 18h.

Em 2004, uma parceria da Prefeitura com uma empresa privada instalou totens de informação em cada um dos pontos históricos, formando um roteiro de passeio. As placas foram depredadas e o projeto, abandonado.

SERVIÇO

Edifício Martinelli

Rua Libero Badaró, 504. Segunda, terça e sexta-feira, das 9h30 às 11h30 e das 14h30 às 16h30.

Sábado até as 13h. Tel.: (11) 3104-2477. Entrada gratuita.

Edifício Sampaio Moreira

Rua Libero Badaró, 344. De quarta-feira a sábado, das 10h às 20h. Entrada gratuita.

Edifício Itália

Avenida Ipiranga, 344. Todos os dias, das 12h às 23h30. Tel.: (11) 2189-2929 Entrada: R$ 20.

Edifício Altino Arantes (Torre do Banespa)

Rua João Brícola, 24. De segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. Tel: (11) 3249-7466. Entrada gratuita.

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