Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Centro de SP abrigará a memória judaica

Começam na segunda as obras do espaço que vai guardar acervo de 1,5 mil peças

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2011 | 00h00

A história da comunidade judaica no Brasil será apresentada em um único espaço na capital paulista. Na segunda-feira, começam as obras do futuro Museu Judaico de São Paulo, único do tipo no País, que retratará o papel do judaísmo na formação contemporânea nacional. O próprio prédio onde ficará o museu já conta um pouco dessa história: será no antigo Templo Beth-El, tradicional sinagoga do centro, agora transformado em equipamento de cultura.

Desde 2006, a diretoria da instituição tenta conseguir recursos para iniciar as obras, orçadas em R$ 22 milhões. "Agora, a captação que já fizemos permitiu o início das obras. O Museu não vai falar apenas da história dos judeus no Brasil, uma história de 500 anos, mas reforçará também o sentimento de cidadania. Falará sobre uma comunidade que se integrou e colaborou com a criação da identidade do País ao longo dos anos", explica o presidente do Museu Judaico, Sérgio Simon.

O acervo do museu será formado por 1,5 mil peças - utensílios domésticos, objetos de decoração e artigos religiosos usados por imigrantes judeus de Polônia, Rússia e Turquia, entre outros países, nos séculos 18 e 19.

Obras dos primeiros artistas judeus que se estabeleceram no País também fazem parte do acervo do museu. "Há grande preocupação em salvaguardar a memória das famílias judias que vieram morar no Brasil. Será um espaço adequado para guardar esse acervo", conta Maria Ignez Mantovani, responsável pelo projeto museológico.

O novo museu contará ainda com biblioteca temática e centro de referência para pesquisas sobre a história do judaísmo. "Também utilizaremos recursos tecnológicos e interativos. A história da comunidade e seus reflexos na sociedade brasileira serão contados por meio de som e imagem, em um projeto ainda a ser definido", disse Simon. O projeto museológico completo deve ficar pronto no início de 2012.

Festa. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental do museu será realizada neste domingo, a partir das 11 horas, com entrada franca. Haverá apresentações típicas, como as de Klezmer - música não litúrgica, tocada de aldeia em aldeia na Europa Oriental a partir do século 15.

A principal modificação na antiga sinagoga será a estrutura envidraçada de 31 metros de altura que recobrirá o anexo, voltado à Avenida 9 de Julho.

O atual espaço de celebração da sinagoga - conforme prevê projeto do escritório de arquitetura Botti Rubin - será transformado em uma área multiuso, para receber apresentações teatrais, de música e exposições temporárias.

As autorizações de órgãos de patrimônio - o edifício é protegido por um processo de tombamento, aberto em 2002 - e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano para adaptações e mudança de uso do prédio foram concedidas no ano passado.

 

Veja também:

especialDiário de Lore ganhará edição de luxo; conheça

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.