DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Centro de São Paulo ganhará dois abrigos para imigrantes

Bairros do Pari e do Brás devem receber estruturas com cerca de cem vagas em cada instituição, de acordo com a Prefeitura

Juliana Diógenes , O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Pari e Brás deverão receber abrigos para imigrantes com cerca de cem vagas em cada instituição. Os locais estão em negociação pela Prefeitura de São Paulo. A previsão de abertura do primeiro abrigo é junho e o segundo deve ser entregue no segundo semestre.

No Pari, a Prefeitura de São Paulo se articula com as Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas, que tem uma estrutura herdada do antigo Colégio Santa Teresinha. "As irmãs têm interesse de participar e total capacidade", disse o secretário-adjunto de Direitos Humanos da Prefeitura, Rogério Sottili, que preferiu não dar mais detalhes.

A irmã Juliana Rodrigues, da Congregação, confirma que vem dialogando com a Prefeitura e que há uma estrutura grande para montar o abrigo. "Uma parte (do colégio) já alugamos para obra social. Estamos vendo a possibilidade de fazer essa parceria na outra parte", disse.

A ideia é que os dois abrigos sejam de acolhida fixa, nos moldes do Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes (Crai), na Bela Vista. Com 110 vagas noturnas e 80 diurnas, o Crai foi inaugurado em agosto do ano passado. Um deles deverá receber apenas mulheres e crianças, e o segundo abrigo atenderá o público em geral.

O padre Paolo Parise, diretor da Missão Paz, principal ponto de apoio de haitianos em São Paulo, disse que desde o ano passado sugere à Prefeitura que procure as irmãs Scalabrinianas para montar um abrigo. 

"As irmãs Scalabrinianas já dão cursos profissionalizantes a bolivianos e paraguaios, além de cursos de português para haitianos. Elas já têm essa experiência de trabalho interessante com imigrantes", disse Parise. Segundo o padre, o espaço onde funcionava o colégio é grande e tinha cerca de 600 alunos.

A criação de 250 vagas em abrigos da Prefeitura seria suficiente para desafogar o fluxo na instituição, diz Parise.

Atualmente, a paróquia abriga quase 200 imigrantes: 110 na Casa do Migrante e outros 83 de forma improvisada na paróquia.

Traslado aéreo. Em reunião nesta quarta-feira, 27, em Brasília, com o Ministério da Justiça e representantes dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Sottili disse que uma das principais ações discutidas foi a possibilidade de traslado aéreo de haitianos para os destinos finais no território brasileiro.

"(O governo brasileiro) vai ampliar a emissão de vistos de haitianos e trabalhar numa campanha de motivação para que as pessoas venham ao Brasil de forma documentada e por via aérea direto para o destino. Isso é fundamental para evitar o tráfico de pessoas através de coiotes", afirmou o secretário-adjunto.

Na reunião, os Estados acordaram coletivamente a criação de pontos focais em Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo e Curitiba, locais que serão responsáveis por controlar e receber os haitianos em cada cidade. Em São Paulo, será a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, que vai estabelecer contato direto com o Acre.

"Se tem uma saída de ônibus do Acre, liga para avisar, passa o nome das pessoas e prevê a data de chegada. Ficaram de comunicar a empresa que transporta para fazer contato com o ponto focal e melhorar a precisão", afirmou.

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