Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Centrais de vistos dos EUA atraem 'arrastadores'

Até clínicas veterinárias adaptam espaços para serviços informais, que vão de guarda de malas ao preenchimento de formulários

Fabiano Nunes, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2012 | 10h45

Quem procura os recém-criados Centros de Atendimento ao Solicitante de Visto do Consulado Americano (Casv) é alvo de "arrastadores", que oferecem serviços de guarda-volumes, lan house e despachante informal. O comércio no entorno das duas unidades de São Paulo – na Vila Mariana, na zona sul, e no Alto de Pinheiros, na zona oeste – se adaptou para atender a essas demandas, criadas com a instalação dos Casvs.

É possível ter acesso a alguns dos serviços em estacionamentos e a reportagem encontrou até uma clínica veterinária que adaptou o seu espaço para poder atender quem vai às unidades. Os Casvs começaram a funcionar no início de maio para acelerar o processo de emissão de vistos. Como nesses locais é proibida a entrada do solicitante com malas, telefones celulares e outros aparelhos eletrônicos, donos de lojas vizinhas alugam guarda-volumes ao custo médio de R$ 10, sem limite de tempo.

Queixas. A falta desses serviços dentro das unidades do consulado é criticada pelos solicitantes. Em janeiro, a missão americana no Brasil processou mais de 86 mil vistos, um aumento de 60% em relação a janeiro de 2010.

"Cheguei de viagem e não tinha onde deixar a mala. Quando entreguei para o atendente (do guarda-volumes), ele deixou minha mala cair com o notebook. O consulado poderia oferecer o serviço", diz a publicitária Talita Valentim, de 27 anos, que veio de Ponta Grossa (PR) para tirar visto. O aluguel de guarda-volumes não é proibido pela Prefeitura, exceto do lado de fora das lojas.

O químico Miguel Barros, de 39 anos, que mora em Franca, no interior do Estado, também precisou usar um serviço de guarda-volumes ao lado do Casv do Alto de Pinheiros. "Não vejo por que ter de pagar para deixar minha mala. Mas já que não posso entrar no consulado com ela, não tenho outra saída", lamentou. Na fila, as pessoas são abordadas pelos "arrastadores" que também vendem serviços de táxi e lan house.

A clínica veterinária, que funciona ao lado do centro de serviço ao solicitante do Alto de Pinheiros, improvisou uma sala onde funciona um guarda-volumes e uma lan house. O local também oferece serviços de despachante. A taxa chega a R$ 300, incluindo preenchimento do formulário, taxas e marcação de entrevistas. Para serviços mais simples, como confirmar agendamento e imprimir documentos, a cobrança chega a R$ 20. "É um roubo", reclamou o representante comercial Policá Rodrigues, de 27 anos, que teve de pagar R$ 10 para guardar sua bolsa.

Próximo do Consulado americano, na Rua Henri Dunant, 500, na Chácara Santo Antônio, zona sul, onde o solicitante tem de ir dias depois para passar por entrevista, também é comum estabelecimentos oferecerem o serviço de guarda-volumes, mas o valor médio é de R$ 5.

SERVIÇO. CASV. AV. JOSÉ MARIA WHITAKER, 370, V. MARIANA E AV. S. GUALTER, 308, ALTO DE PINHEIROS. DAS 7H ÀS 18H, DE SEGUNDA A SÁBADO; E DAS 13H ÀS 18H AOS DOMINGOS (É PRECISO AGENDAR). INFORMAÇÕES SOBRE VISTO NO SITE DO CONSULADO.

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