Centrais de triagem e ecopontos entregues agradam a catadores

Galpões servem para separar o que pode ser vendido a empresas parceiras; Prefeitura diz que abrirá mais locais

O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h03

No caso dos ecopontos e centrais de triagem nem 40% das metas foram cumpridas: apenas 24 dos 61 ecopontos prometidos foram entregues. Das nove centrais anunciadas, quatro saíram do papel.

A reportagem percorreu as centrais de triagem que constavam como entregues no site Agenda 2012 e verificou que os catadores atendidos com os equipamentos estão satisfeitos. Os espaços servem para os catadores de material reciclável separarem o que pode ou não ser vendido a empresas parceiras. As centrais geralmente têm um ou mais caminhões próprios que coletam os materiais, além de veículos da Prefeitura que conduzem para triagem o material coletado na região.

"Antes de virmos para cá, estávamos sem trabalhar. Uma das catadoras da cooperativa separava o material na laje da casa dela", contou Helena da Silva Oliveira, de 39 anos, presidente da Cooperpac, cooperativa de reciclagem que utiliza o espaço da Central de Triagem Grajaú, na zona sul da capital.

Um dos grupos mais antigos é a Cooperativa Chico Mendes, no galpão da Central de Triagem São Mateus, na zona leste. Fundada em 1999 sob liderança de Dulce Alves de Andrade, de 61 anos, a cooperativa usava um espaço emprestado no bairro até 2004, quando se instalou no galpão cedido pela Prefeitura. Depois disso, a quantidade de material vendido só cresce: em 2008, 146 toneladas. Em 2011, foram vendidas 507 toneladas de material reciclável.

Atualmente, cerca de 30 pessoas trabalham no espaço. A catadora Maria do Carmo da Silva, de 48 anos, trouxe as duas filhas, de 18 e 20 anos, para trabalhar com ela. "Com isso a gente põe comida na mesa."

Descarte. Já os ecopontos são espaços públicos onde o cidadão pode descartar recicláveis, restos de móveis quebrados ou de reformas, para que esse tipo de lixo tenha a destinação correta. Dentro desses locais, há grandes caçambas e funcionários treinados para orientar onde cada tipo de lixo deve ser depositado. Essa é uma opção da Prefeitura para diminuir o descarte irregular em algumas regiões da cidade. A meta do número de Ecopontos a serem entregues até o fim da gestão Kassab, no entanto, está longe de ser cumprida: faltam 37.

A Prefeitura de São Paulo informou que está implementando 40 ecopontos, entre fases de obras e licitações, "além de manter a busca por mais locais que atendam aos requisitos técnicos necessários para a instalação de outros". Segundo a Secretaria Municipal de Serviços, "a cidade contará com 96 ecopontos prontos ou a serem entregues até o fim desta gestão".

Dificuldade. Com relação às centrais de triagem, a administração garante que outras quatro já têm os respectivos terrenos identificados, projetos prontos e aguardam ajustes finais para a liberação de alvarás e início das obras. "É importante lembrar que as centrais de triagem só podem ser implementadas respeitando as regras de zoneamento e há dificuldade de se encontrar áreas públicas com condições adequadas para essa finalidade", diz a Secretaria de Serviços. "No intuito de aumentar a rede, iniciamos um processo para a desapropriação de mais sete áreas que podem receber galpões". /C.B.

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