Cenário não mudou após acidente igual em 2008

Especialista diz que sugeriu saída de famílias de área de risco há 3 anos, após rompimento de dique do Rio Muriaé

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h05

O pesquisador Arthur Soffiati, do Núcleo de Estudos Socioambientais da Universidade Federal Fluminense (UFF), disse ontem ter proposto ao Ministério Público e à prefeitura de Campos, em janeiro de 2009, a transferência dos moradores da localidade de Três Vendas para um trecho mais alto, conhecido como Colina, a 500 m de distância, por causa das cheias recorrentes.

"Estão fazendo agora, provisoriamente, o que propus como solução permanente", afirmou Soffiati sobre a retirada às pressas de famílias que vivem na comunidade, por causa da iminência de inundação da área urbana. O pesquisador disse que foi chamado pelo MP para preparar um relatório após o rompimento do dique do Rio Muriaé, em dezembro de 2008. "Argumentei em audiência pública que muitos moradores perdiam tudo todo ano e que o objetivo era evitar isso. A proposta foi corroborada pelo órgão técnico do MP, mas acabou rejeitada."

Soffiati propôs que a mesma solução fosse adotada progressivamente no município de Cardoso Moreira, que tem 12 mil habitantes. "Pelo menos 80% da cidade, que também fica no leito do Rio Muriaé, costuma ficar embaixo d'água. Seria um plano de longo prazo." Para o professor, a recorrente destruição e ocupação de áreas de várzea pela água indicam que a BR-356 foi construída de maneira inadequada.

"As inundações na área do Muriaé são recorrentes e a estrada deveria ter sido projetada para não romper. A culpa não é de São Pedro", acrescentou o engenheiro geotécnico Alberto Sayão, professor da PUC-Rio e ex-presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos, lembrando que o rompimento de 2008 deveria ter servido de alerta. "A BR-356 não está preparada para cheias e deve ser refeita."

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