Cemitérios do interior de São Paulo sofrem com falta de vagas

Em Franca, prefeitura vai leiloar túmulos abandonados por até R$ 65 mil às famílias interessadas

Chico Siqueira , especial para O Estado

01 Novembro 2011 | 22h49

ARAÇATUBA - Cidades do interior de São Paulo enfrentam a superlotação de cemitérios e estão sendo obrigadas a improvisar para garantir espaço para seus mortos.

Em Franca, no norte do Estado, a prefeitura decidiu leiloar os túmulos abandonados no Cemitério da Saudade, que custarão até R$ 65 mil às famílias interessadas. Das 5,2 mil sepulturas, a prefeitura leiloará 504, todas consideradas abandonadas.

Segundo secretário de Administração de Franca, Jerônimo Sérgio Pinto, a expectativa é arrecadar R$ 5 milhões. Os novos túmulos, porém, terão de ser construídos sobre os jazigos antigos, porque uma lei municipal proíbe a retirada de restos mortais dos túmulos - abandonados ou não.

Em Araçatuba, noroeste paulista, após enterrar mortos em ruas internas do Cemitério Recanto da Paz, a prefeitura decidiu retirar os ossos de covas abandonadas para abrir espaço a construções de novos túmulos. Para isso, convocou famílias donas de sepulturas: quem não aparecer terá o túmulo desapropriado e os restos mortais serão levados a um ossário a ser construído no próprio cemitério. Serão abertas cerca de 700 vagas.

Em Álvares Machado, oeste do Estado, a saída do município foi pôr os mortos em gavetas construídas sobre outras covas, mas os problemas já viraram caso de polícia.

Em 23 de setembro, o corpo do marceneiro Elício Dias Leal teve de ser colocado em uma gaveta de jazigo emprestada, após o caixão ficar por horas no chão por falta de sepultura no cemitério da cidade. A família se sentiu humilhada e levou o caso à delegacia denunciando suposta tentativa de extorsão de um funcionário, que teria cobrado R$ 1,2 mil por um túmulo.

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