Cemitérios de Manaus estão à beira do colapso

Pode-se dizer que o "então morra!" dito pelo prefeito Amazonino Mendes (PTB) a uma moradora de Manaus que reclamava das más condições de habitação, em 21 de fevereiro, é uma frase difícil de ser aplicada na vida real. Com 1,8 milhão de habitantes, a capital do Amazonas está próxima de um colapso: se em três anos não for construído um novo cemitério, não haverá lugar para enterrar os mortos.

Liege Albuquerque, O Estado de S.Paulo

13 Março 2011 | 00h00

Há dois anos, restos mortais de sepulturas antigas estão sendo retirados do Cemitério do Tarumã, na zona oeste da capital, para o ossário do local. Fundado há 36 anos e já ocupado por mais de 80 mil túmulos em 60 quadras, o cemitério é o único dos seis de Manaus onde a prefeitura dispõe de concessões temporárias dos túmulos e, portanto, pode retirar os restos mortais antigos para novos sepultamentos.

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), no Tarumã são realizados até 8,5 mil enterros por ano. Nos outros cinco cemitérios da cidade, segundo a pasta, o que há ainda disponível em espaço são jazigos familiares e não há estimativas do número de enterros.

Ainda de acordo com a secretaria, a prefeitura procura um terreno para um novo cemitério desde 2010 e já há espaços sendo estudados. Até o fim do ano, a prefeitura deve aumentar a área do Tarumã em cerca de 30 mil metros quadrados.

Lei. Em 2008, para tentar evitar o colapso nos cemitérios, a prefeitura regulamentou uma lei que determina que as sepulturas das concessões temporárias dos cemitérios de Manaus sejam desocupadas em quatro anos, no caso de adultos, e em dois anos, no caso de crianças de até 10 anos, a contar da data do sepultamento. Os prazos não podem ser prorrogados e os restos mortais são destinados ao ossário de cada cemitério.

Em junho do ano passado, foi lançado um edital de convocação para regularizar pendências de concessão de uso de sepulturas no Tarumã, especialmente as abandonadas e em ruínas. Em cinco meses, menos de 20% das 7 mil pessoas com pendências se apresentaram. Cerca de 4 mil sepulturas foram então esvaziadas e os ossos, transferidos para um ossário.

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