Cemitério da Vila Formosa tem ossos à mostra

Visitantes lamentam descaso e também reclamam de pedaços de caixões e covas rasas; Prefeitura promete apurar irregularidades

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2011 | 03h04

Ossos à mostra e covas rasas, com quatro palmos ou menos de profundidade, fazem parte do cenário do Cemitério da Vila Formosa, na zona leste da capital paulista. A situação irregular incomoda quem vai até lá para visitar o túmulo de algum familiar ou conhecido ou ainda acompanhar um enterro. A Prefeitura prometeu ontem investigar as irregularidades.

A reportagem visitou o cemitério na terça e na quinta-feira da semana passada e constatou o descaso. Parte das covas da quadra número 52, da unidade 2 do cemitério, passava por processo de exumação. Sobre os montes de terra, qualquer visitante podia ver os pedaços de caixões e ossos.

Durante o velório do fiscal Sandro Cordon Antônio, de 33 anos, assassinado no dia 3 pelo vigia Jônatas Pereira Lima em uma agência do Bradesco em São Bernardo do Campo, familiares ficaram próximos de covas abertas e ossos à mostra.

"É triste, porque a família já está abalada com a perda da pessoa. Olha para o lado e vê os ossos jogados ali. Passa uma má impressão", diz a coordenadora de eventos Rosa de Queirós, de 36 anos. O corpo da mãe dela foi enterrado em maio no cemitério e, desde então, ela visita o local com frequência.

Para piorar a situação, não há nada que impeça a entrada de animais. "Se as covas não são fundas, é perigoso algum cachorro vir aqui, cavar e revirar tudo", alerta a aposentada Mercedes Freitas Pereira, de 65 anos, que teve o corpo do namorado enterrado no local. Além da quadra 52, é possível encontrar ossos à mostra na quadra 54, onde atualmente são enterrados os corpos dos indigentes.

O Vila Formosa é considerado o maior cemitério da América Latina. O local foi fundado em 1949 e ocupa uma área de 763.175 metros quadrados.

Investigação. O Serviço Funerário do Município afirma que a abertura de covas em quadra geral de terra, caso do Vila Formosa, segue um procedimento padrão. Diz também que os casos referentes às quadras 52 e 54 serão devidamente apurados pela Diretoria de Cemitérios. Caso sejam constatadas irregularidades, serão tomadas medidas de correção e readequação de profundidade das covas.

O Serviço Funerário diz ainda que o procedimento de exumação deve ser requerido pelas famílias três anos após o sepultamento. Quando as famílias não comparecem nesse prazo, os ossos são retirados, ensacados, identificados e realocados no mesmo local de sepultamento - o que ocorre no Cemitério da Vila Formosa.

A manutenção dos cemitérios municipais é feita por uma empresa terceirizada, contratada pela Prefeitura. Já os cuidados com o jardim sobre o túmulo são de responsabilidade do munícipe, que pode contratar jardineiros credenciados.

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