Celular já avisa a hora de descer do ônibus

Aplicativo do Google traça rota e aponta quando fazer conexões e o fim do trajeto

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2011 | 00h00

Na cidade de exatos 15.033 coletivos e 1.345 linhas de ônibus, mesmo o paulistano mais escolado tem suas dificuldades para lidar com o caótico transporte público de São Paulo. Na tentativa de ajudar as 8 milhões de pessoas que usam todos os dias os ônibus da capital, o Google lançou um serviço que não só exibe quais coletivos, metrô ou trens o usuário deve pegar para chegar ao destino, como também o avisa sobre o momento certo de descer do veículo.

Parece mais difícil na teoria do que na prática. Pelo programa Google Maps (http://maps.google.com.br), acessível por smartphones com GPS, é possível digitar um endereço ou mesmo um ponto conhecido da cidade (como o Parque do Ibirapuera ou o Shopping Iguatemi). O site responde com os trajetos possíveis para se chegar ao local, usando ônibus, metrô, trens ou os três meios de transporte. A partir daí, o aplicativo acompanha o usuário durante toda a rota e envia um alerta na hora certa de fazer as conexões e também quando chegar ao destino final.

O serviço também está disponível em Porto Alegre e no Rio. Segundo Diego Nogueira, engenheiro de software do Google, o aplicativo pode ajudar o paulistano a conhecer melhor sua metrópole. "O usuário pode ter informações sobre uma vizinhança, ler opiniões de outros usuários sobre um novo restaurante na cidade e saber por onde andam os seus amigos", afirma.

Tecnologia. Pelo seu tamanho, São Paulo é uma cidade onde as pessoas se acostumam desde cedo a andar apenas em suas próprias zonas - quem mora na zona sul, por exemplo, costuma sair para jantar ou encontrar seus amigos na própria zona sul, por comodidade, trânsito e outros receios. Programas como o Google Maps, que aliam informações públicas com mapeamento por GPS, são apontados por especialistas em tecnologia e urbanistas como uma nova forma de aproximar os moradores de sua cidade. O que mais chama a atenção, no entanto, é que a Prefeitura de São Paulo admite não ter nenhum funcionário em seus quadros pensando em como tirar proveito dessa tendência.

Nova York, por outro lado, é o exemplo perfeito de como a tecnologia pode melhorar a vida do cidadão. Lá, o governo municipal tem o cargo de "digital chief officer", uma espécie de secretário de mídia digital, que tem como função melhorar o acesso e o gerenciamento dos dados públicos da prefeitura. Com a ajuda de desenvolvedores, Nova York incentivou a criação de aplicativos para celular como o "Roadify", que ajuda o usuário a trafegar pela cidade e até informa sobre vagas disponíveis para estacionamento nas ruas.

Outro aplicativo criado foi o "Sportaneous", que recorre a tecnologias de localização para facilitar a organização de jogos de basquete entre moradores e até fornece informações em tempo real sobre quadras de esportes desocupadas perto de onde o usuário está. Já o "DontEat" fornece o histórico das condições sanitárias dos restaurantes. Em tempo: em São Paulo não é possível obter facilmente essa informação nem mesmo por telefone, muito menos na internet.

"Ainda estamos engatinhando por aqui em relação ao uso da tecnologia, ainda é incipiente", diz Ricardo Joseph, criador do site Urbanias (www.urbanias.com.br), que recebe reclamações dos internautas sobre serviços ou órgãos púbicos de São Paulo. "Acho que essas novidades podem até mesmo ajudar as pessoas a cobrar melhorias em suas cidades."

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