Celular de suspeito tem fotos dos irmãos antes do assassinato

DHPP ainda evita ligar outros corpos e ossadas encontrados no local a assassinato dos dois irmãos

27 de setembro de 2007 | 09h57

O celular de Ademir Oliveira do Rosário, que foi preso na noite de quarta-feira e é considerado o principal suspeito de matar os irmãos Josenildo e Francisco de Oliveira, na Serra da Cantareira, tem fotos das vítimas antes do crime. Segundo informações policiais, as imagens teriam sido feitas momentos antes do crime.  A polícia está investigando a ligação do assassinato dos irmãos com dois corpos e duas ossadas encontradas este ano na Serra da Cantareira. No entanto, a execução dos irmãos é tratada como caso isolado. Moradores do Jardim Paraná, porém, não descartam a participação de Ademir Oliveira do Rosário, preso na quarta-feira à noite pela morte dos irmãos, em outros crimes.  Há dez anos, ele tem status de "lenda urbana" na região, assombrando o imaginário de crianças e pais. O caso mais antigo a ser investigado pela polícia agora é o da ossada de um homem achada em 22 de fevereiro na Avenida General Penha Brasil, próximo do número 2.600. Os investigadores nunca conseguiram identificar a vítima nem saber o que aconteceu. Depois disso, em 20 de abril, a polícia foi chamada por testemunhas que viram um homem com um capote preto atirar um plástico em um lago e depois fugir. No local indicado, perto do número 3.600 da mesma avenida, a polícia encontrou um crânio e ossos de pernas que os peritos do Instituto Médico-Legal (IML) determinaram ser de um jovem com idade entre 12 e 16 anos. Até agora, a vítima não foi identificada. A terceira morte suspeita averiguada pelos policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) é o de uma mulher parda, cujo corpo foi achado no piscinão da Avenida Inajar de Sousa. No primeiro exame, os policiais não acharam nenhum sinal externo de violência. Esse também foi o caso da quarta vítima. Trata-se de um homem encontrado morto no mesmo piscinão. Nenhum deles foi identificado. Segundo os moradores do Jardim Paraná, Rosário costumava vagar pela mata, perto de um lago. "Ele correu atrás de mim. Escapei por pouco. Ele não rouba ninguém, gosta de pegar a molecada", disse o padeiro Luciano Rocha, de 22. "Ele mora em outro bairro e tem medo de entrar aqui, mas fica pegando moleques no mato. É tarado", afirmou um garoto. Um dos meninos contou à reportagem que Rosário trabalhava em uma bicicletaria no Jardim Elisa Maria. O estabelecimento, na Rua Dom Tomás de Noronha, estava fechado. Na frente, a reportagem encontrou o irmão do suspeito e o pai dele, Armando do Rosário, de 72. O pai comentou que os filhos e netos passaram o sábado na bicicletaria e assegurou que nunca soube da má fama de Rosário no bairro. 'Confissão informal' Detido desde setembro de 2006, Rosário admitiu à polícia, em conversas informais, ter matado os garotos. Ele foi encontrado, na noite de quarta-feira, pelos policiais na ala de desinternação progressiva do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha. Também confessou outros crimes sexuais. Rosário teve a prisão preventiva decretada por 30 dias pelo assassinato dos irmãos."Ele tem antecedente por homicídio (em 1991) e atentado violento ao pudor (em 1998)", afirmou a delegada Cintia Tucunduva, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo ela, o criminoso agia sozinho e intimidava as vítimas ao simular ter uma arma na cintura. "Ele saiu da cadeia na sexta-feira, conforme o estipulado (no regime semi-aberto). Na segunda-feira, retornou ao presídio." Durante o processo por homicídio, a Justiça considerou que Rosário oferecia risco à sociedade e, por isso, optou pela internação psiquiátrica.De acordo com o delegado do DHPP Raul Machado Tilcher, que também acompanha o caso, há fortes indícios de que Rosário cometeu vários "crimes sexuais" na região - mas ele descartou, por ora, outros assassinatos.  Outros crimes sexuais Na tarde de quarta-feira, o depoimento de uma mãe no 72º Distrito levantou mais suspeitas contra Rosário. Ela contou ao delegado José Bella que, em 25 de agosto, seus dois filhos adolescentes foram brincar na mata da Cantareira com três amigos. Os adolescentes foram amarrados em árvores e abusados sexualmente. Rosário já havia sido denunciado por outros três adolescentes que escaparam de um ataque no sábado.O caso de Rosário traz de volta a discussão sobre laudos psiquiátricos de acusados de crimes. O criminoso apelidado de Champinha, hoje com 20 anos, que em 2003 matou o casal Liana Friedenbach e Felipe Caffé, teve avaliações diferentes sobre a sanidade mental em dois laudos, do Hospital das Clínicas (que o julgou são) e do Instituto Médico-Legal (que o considera perigoso). Ele segue na Unidade Experimental de Saúde da Fundação Casa, na Vila Maria, zona norte, por determinação judicial.var keywords = "";  (Colaboram Gilberto Amendola e Josmar Jozino, do Jornal da Tarde, e Marcelo Godoy e Rodrigo Pereira, do Estadão)

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