Gabriela Bilô/Estadão
Gabriela Bilô/Estadão

Célula-tronco dá esperança a pets com doença grave

Para salvá-los, donos de animais recorrem a tratamentos que custam a partir de R$ 1,6 mil; procura aumentou até 25% em 1 ano

PAULA FELIX, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2014 | 02h01

Recuperar a saúde após um tratamento com células-tronco é algo que o gato Fábio e a cadela Renina têm em comum. Animais de estimação de donos diferentes, eles estão entre os pets que foram tratados com a alternativa para tentar reverter doenças graves. Após o tratamento, feito em sessões que custam a partir de R$ 1,6 mil, os donos não escondem a alegria ao ver os bichinhos saudáveis. A técnica tem crescido e atraído cada vez mais adeptos, com crescimento na procura de até 25% em clínicas em relação ao ano passado.

Renina, uma cadela de 1 ano e 2 meses da raça samoieda, ainda era um filhote quando começou a apresentar problemas que preocuparam o historiador Ricardo Santhiago, de 31 anos. "No começo deste ano, percebi que tinha algo de errado com ela. Estava apática, sem vontade de brincar, passou a se alimentar menos, até que deixou de se alimentar e começou a sentir dores ao se mexer, ao se levantar e a andar", diz.

Após uma série de exames, foi constatado que ela tinha displasia coxofemoral, doença que causa artrose precoce e dor. Santhiago diz que uma das opções seria fazer uma cirurgia no animal para a implantação de uma prótese. Como o tratamento era invasivo e custaria cerca de R$ 20 mil, ele optou pelas células-tronco.

"Ela fez a primeira aplicação em abril. A segunda em maio e a terceira em junho. Esperava que só a partir da terceira aplicação ela ficaria bem, mas, depois da primeira, ela já voltou a ser a nossa Renina", conta Santhiago, satisfeito com o resultado do tratamento.

Diretor da Celltrovet, empresa que desenvolve tratamentos com células-tronco para animais e que registrou aumento considerável na procura pela técnica, Enrico Jardim Clemente Santos diz que o tratamento é oferecido, atualmente, para oito doenças, entre elas a renal crônica, fraturas e a displasia coxofemoral. "Não é uma coisa milagrosa. Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida do animal, por isso, recomendamos que também seja feito um tratamento com acupuntura e fisioterapia", afirma.

A busca pelo tratamento teve aumento na clínica Gatto de Botas, do veterinário André Gatti, que trata especialmente de problemas renais em gatos. "Na minha rotina, do ano passado para este, a procura aumentou entre 20% e 25%", afirma.

A terapeuta holística Silvia Teixeira Venco, de 48 anos, optou pelo tratamento há dois, quando Fábio, um siamês de 14 anos, apresentou insuficiência renal. "Do jeito que estava, o gato não ia durar nada. Agora, ele brinca, anda, come normalmente. É caro, mas eu arriscaria de novo", diz Silvia, que pagou R$ 2 mil na época.

Cuidados. O veterinário Marcos Steinle Rodrigues Lopes, proprietário da Clínica Estação Animal, usa a técnica há três anos e meio e diz ter bons resultados. "Como a gente usa como coadjuvante de outro tratamento, o que vejo é uma resposta anti-inflamatória muito boa. É uma terapia promissora."

Lopes destaca que há uma importante contraindicação: a presença de tumores, pois as células-tronco podem atuar no local e agravar o problema.

Ricardo Junqueira, integrante do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), explica que não há legislação específica para o uso da técnica em animais de estimação, mas destaca que é necessário ter cuidado. "A corrida científica na busca de soluções que usem células-tronco deve ser vista com extrema atenção e cautela. Por causa da novidade do tema, há uma série de questões científicas ainda abertas. As pesquisas estão em andamento."

Junqueira ressalta o potencial do tratamento. "As pesquisas com células-tronco adultas estão cada vez mais avançadas e certificam a sua excelente capacidade terapêutica."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.