Cavalaria deve ter pelotão feminino até 2014

Mulheres começaram a ser aceitas no Regimento em 2002 e curso mais recente teve 4 alunas entre os 28 estudantes

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h05

Conhecido por tradicionalmente manter só homens em seu efetivo, o Regimento de Cavalaria da Polícia Militar começa a abrir as portas para o universo feminino. No curso mais recente de polícia montada, quatro mulheres estão entre os 28 alunos.

Elas cumprem as mesmas tarefas da tropa masculina: 9 horas ininterruptas, que vão desde limpar o cavalo em tempo rigorosamente cronometrado até um perfeito equilíbrio sobre o animal.

Criado em 1892, o batalhão passou a empregar mulheres 110 anos depois. O major Alfredo Rodrigues, comandante da Cavalaria, explica que a primeira moça a tentar ingressar na tropa, na década de 1990, teve o pedido negado. "Não tinha alojamento para mulher. Não tinha PM feminina. O serviço era considerado pesado para as mulheres", diz ele, que espera completar um pelotão feminino (20 mulheres) até a Copa, em 2014.

Com 50 quilos, Priscila Ulprist, de 29 anos, sentiu dificuldade na hora de erguer a cela de 32 quilos nos primeiros dias de instrução. Precisou aprimorar ainda mais a parte física para obter força. "Pensei em desistir porque cansa, mas é possível." Das quatro, ela é a única que pode se orgulhar ao dizer: "Até agora, não caí do cavalo". Também é uma das mais maquiadas - no entanto, os tons estão sempre dentro das regras da corporação.

Mulher de PM e irmã de policiais, Priscila busca a realização de um sonho na Cavalaria. Assim como Ivonete Alves Maciel, de 33 anos. "Tenho dez anos de rua no centro, mas sempre admirei a Cavalaria. É diferenciada, imponente e prazerosa." Para Ivonete, o obstáculo maior foi se equilibrar e depois as dores por causa do treino. O marido, também PM, chegou a duvidar e depois virou fã. A filha agora até ajuda a passar pomadas anti-inflamatórias em suas costas.

Vaidosa, Mônica Aleixo Santos, de 34 anos, diz usar sempre lápis de olho e engraxa a bota "superbem". Com um balde em mãos, ela conta a rotina vivida. "Aqui tem as três escovas de pentear o cavalo, depois usamos um equipamento para limpar o casco por baixo, depois pano para o olho e nariz. Ele tem de ficar impecável em 25 minutos", diz ela, sob o olhar rigoroso do instrutor Manoel Clodoaldo Figueiredo. "Esse paradigma de que a mulher não aguenta está sendo quebrado. Mulher tem até mais facilidade, é mais sensível, isso é importante para o cavalo", explica.

Lirane Pelegrino, de 40 anos, também está no curso e diz que com ela o problema maior é subir no cavalo. "Caí várias vezes, só que estou na fase final e vou continuar."

Veterana. A tenente Thaís Cipolla, de 27 anos, passou pelo curso há um ano e meio e já vai para as ruas a cavalo. Reveza a função com duas PMs. Thaís é a única oficial dali e tem até dois cavalos próprios. "Aqui dá vontade de vir na folga e nas férias. Depois de entrar você se acostuma com o esforço e as dores."

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