Cavalaria de SP ganha armadura para a Copa

Cavalos terão viseira, protetor facial e botas antiderrapantes; PMs usarão 'roupa do Robocop'. Cada conjunto custou R$ 2,9 mil

LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2014 | 02h05

O Regimento de Cavalaria da Tropa de Choque agora será blindado. Para estrear na Copa do Mundo, no próximo mês, os animais ganharam uma armadura com um conjunto de viseira de acrílico, botas antiderrapantes, protetor facial e uma cobertura de couro maior no peito. Os policiais militares, por sua vez, vão usar uma nova indumentária semelhante à roupa do Robocop - um exoesqueleto de polipropileno, material resistente a grandes impactos.

Os 200 kits de proteção começaram a ser usados nos treinamentos da corporação neste mês. Cada conjunto custou cerca de R$ 2.900 - R$ 600 dos acessórios dos cavalos e R$ 2.300 da nova vestimenta para montaria.

Anteriormente, os animais andavam sem nenhum equipamento que pudesse amortecer o impacto de ataques cometidos por manifestantes. A face e o focinho do cavalo, sobretudo - o chamado chanfro -, são especialmente sensíveis, o que leva ao risco de quedas e tropeços. Sem as botas, eles podiam escorregar e desestabilizar as operações.

Os PMs tinham apenas um colete balístico e eram vulneráveis a quedas, tiros e objetos lançados. "É um projeto que estava em preparação havia quatro anos. Aconteceu de coincidir com a Copa do Mundo, mas servirá para operações em praças esportivas, reintegrações de posse e para todos os outros eventos que possam trazer perigo para o cavalo e o PM", diz o comandante do pelotão de doma (picaria), tenente Rafael da Silva Gouveia.

Treinamento. Os animais - na maioria são exemplares da raça Hípica Brasileira - precisaram passar por uma preparação especial em uma arena aberta, coberta de areia, nas últimas semanas. Os cavalos do Regimento de Pelotão Montado 9 de Julho passaram por um período de adaptação e estranharam de início os acessórios.

A viseira causa uma diferença de visibilidade com o reflexo da luz e, de regra, o material de montagem deve ser minimalista, uma vez que qualquer novo equipamento pode deixá-los irritados e desconfortáveis. Não por menos, houve cenas de desequilíbrio e acidentes. As botas tiveram de ser testadas em diferentes pisos nas ruas.

Para os PMs, a armadura também exigiu adaptação. Com tamanho único, o conjunto é dividido em parte superior e inferior, com placas articuladas e ajustáveis ao tamanho do policial semelhantes à roupa de motociclistas. Quente, a roupa tem nas costas uma mochila "para guardar água e se hidratar", segundo Gouveia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.