Causas e responsabilidades sobre incêndio não foram esclarecidas

Investigação concluiu que fogo foi acidental, mas promotoria apontou 5 responsáveis, que vão responder ação criminal

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2013 | 02h03

As causas e responsabilidades sobre o incêndio ocorrido três anos atrás ainda não foram totalmente esclarecidas. A investigação do Instituto de Criminalística (IC) da Secretaria de Segurança Pública concluiu em março de 2011 que o incêndio foi acidental, causado pelo superaquecimento de uma pedra de calor usada para aquecer terrários de répteis. Apesar desse laudo, o Ministério Público Estadual interpretou o incêndio como culposo e apontou cinco pessoas como responsáveis, incluindo dois diretores, um engenheiro e dois pesquisadores.

Aos acusados foi oferecido um acordo para suspensão do processo, mas eles não aceitaram. Consequentemente, em março deste ano, foram denunciados e terão de responder a processo criminal. "Eles preferiram discutir o mérito, então vamos discutir", diz a promotora Eliana Passarelli.

O Estado conversou ontem com os dois pesquisadores denunciados: Otavio Marques e Selma Santos, ambos do Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantã. Segundo o laudo do IC, a pedra de calor estava em uma sala do mezanino do prédio (feito de maneira irregular, sem alvará), que era ocupada provisoriamente por eles para manter cerca de 15 cobras vivas, por causa da falta de espaço no seu próprio laboratório, que fica em um prédio em frente.

Marques e Selma negam qualquer culpa no incêndio. Segundo eles, se havia alguma pedra de calor no prédio, não era deles. "Nunca usamos essas pedras no nosso laboratório", afirma Marques. "Estou aqui há 22 anos e nunca tinha visto uma pedra dessas", diz Selma.

Os aparelhos são, na verdade, uma imitação de pedra com uma resistência dentro, que é ligada por fio a uma tomada para produzir calor e ajudar os répteis a manter sua temperatura corporal. Elas são tipicamente usadas em aquários com terra (terrários), como os do Museu Biológico, que é aberto ao público. Os animais do laboratório, porém, são mantidos em caixas de plástico duro transparente, com papelão no fundo para coletar os dejetos do animal. "Imagina se a gente colocaria uma pedra quente dentro disso", questiona Selma.

O laudo do IC traz imagens de fragmentos que seriam da pedra e de resistências carbonizadas, do tipo bastão, tipicamente usadas em ambientes aquáticos.

Churrasco. Segundo o inquérito, na noite anterior ao incêndio (detectado por volta das 7h), houve uma festa com churrasco no fundo do prédio, que teria durado até a madrugada. A churrasqueira ficava do lado de fora, mas pessoas entravam no prédio para usar os banheiros, transitando pela coleção com milhares de vidros com álcool.

"Fizemos uma comemoração, mas foi fora do prédio. Nunca houve contato de qualquer fonte de calor com o prédio", disse ao Estado o curador da coleção, Francisco Franco.

A promotora Eliana não considerou o churrasco preocupante. "Foi fora do prédio, não aconteceu nada", disse. "O laudo não deixa dúvidas sobre as causas do incêndio."

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