Catedral de BH será erguida só com doações

ENVIADO ESPECIAL

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

A nova catedral de Belo Horizonte, um arrojado projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, custará de R$ 75 milhões a R$ 100 milhões, que serão arrecadados entre os fiéis e grandes empresas. A campanha pela captação de recursos começará no dia 22, em reunião do arcebispo metropolitano, d. Walmor Oliveira de Azevedo, com empresários mineiros, para apresentação da maquete.

"A futura catedral será uma obra da Igreja, bancada pelos católicos, sem participação do governo", afirma d. Walmor, respondendo à insinuação de que o projeto pudesse ter ligação com a Cidade Administrativa do Estado, também projetada por Niemeyer e construída na mesma região pelo ex-governador Aécio Neves. "Nosso projeto, de 2005, é anterior à construção da Cidade Administrativa."

Seria, portanto, coincidência o fato de os dois conjuntos arquitetônicos estarem à margem da Linha Verde, a rodovia que liga Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional de Confins, a 5 quilômetros de distância entre um e outro. A catedral ficará do lado de uma estação do metrô, em Venda Nova, o que facilitará o acesso dos fiéis vindos do centro e de outros bairros da capital mineira.

"A catedral ocupará uma área de 22 mil m², com capacidade na parte interna para 5 mil pessoas e espaço externo para mais 20 mil, em grandes concentrações, como missas campais", adiantou d. Walmor. Como igreja-mãe da arquidiocese de Belo Horizonte, o templo atenderá a uma população de 5 milhões de habitantes, em 251 paróquias em 28 municípios vizinhos.

Desenho. O projeto de Niemeyer traz o desenho de uma cúpula de 60 metros de diâmetro, dividida em três pavimentos e sustentada por duas hastes de 100 metros de altura, que se juntam no ar como duas mãos postas em oração. Além do escritório de Niemeyer, cuja remuneração corresponderá a até 25% do custo da obra, outros profissionais participarão da construção. "Temos pessoal técnico competente nos quadros da Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG) que acompanhará a execução", informa d. Walmor. Segundo o arcebispo, Niemeyer não cobrou pelo risco do projeto, entregue em abril de 2006, seis meses após a encomenda.

Ao perceber que o custo assustava, Niemeyer incentivou d. Walmor, com a previsão de que a futura catedral será o local mais visitado de Belo Horizonte. "O senhor não desista, porque esse é um dos projetos mais bonitos que pude realizar e, com certeza, valerá a pena", argumentou o arquiteto. Niemeyer é autor de outros projetos locais, incluindo a igreja de São Francisco e a Casa de Baile, na Pampulha, dos anos 1940, quando Juscelino Kubitschek era o prefeito.

Elogio. "Niemeyer não tem uma trajetória de vida ligada à religião, mas tem a graça de comunicar, com seus traços, o que é Deus", elogia d. Walmor. Uma maquete da catedral de Belo Horizonte foi enviada a Roma para participar de uma exposição de arte no Vaticano, montada em comemoração dos 60 anos de sacerdócio de Bento XVI. O papa viu e gostou do projeto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.