Rubens Carneiro/Divulgação
Rubens Carneiro/Divulgação

Catedral da Sé é pichada após ato contra projeto de Cunha que dificulta aborto legal

Portas e paredes da igreja amanheceram com mensagens em defesa do aborto; boletim de ocorrência foi registrado

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

01 Novembro 2015 | 00h31

SÃO PAULO - Cartão-postal da cidade de São Paulo, a Catedral da Sé, na região central, amanheceu neste sábado, 31, tomada por pichações favoráveis ao aborto, após ato realizado contra o Projeto de Lei 5.069/2013, de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A proposta dificulta o acesso ao aborto legal às vítimas de estupro. Padres que administram o templo repudiaram o ato de “vandalismo”.

Frases como “se o papa fosse mulher, o aborto seria legal” e “tire seus rosários dos meus ovários” estavam entre as pichações. No início da noite de sexta-feira, 30, a manifestação contra o projeto começou na Avenida Paulista e terminou por volta das 21h30 na Praça da Sé. A Polícia Militar informou que 3 mil pessoas participaram do ato, enquanto a organização do evento estimou 15 mil.

Segundo nota divulgada pela Arquidiocese de São Paulo, as pichações foram feitas após o término do ato. Portas e paredes foram pichadas. “Diariamente entram na Catedral centenas de pessoas de culturas e credos variados que são acolhidas fraternalmente. Por isso, lamentamos e repudiamos a pichação ocorrida na noite de 30 de outubro último”, informou a Igreja, em nota assinada pelo padre Luiz Eduardo Baronto, cura da Catedral Metropolitana, e pelo padre Helmo César Faccioli, auxiliar do cura.

Provocação. A nota destaca ainda o valor arquitetônico e artístico das instalações da Catedral da Sé e denominou a ação dos manifestantes como uma “provocação destrutiva”. “A liberdade de expressão, reivindicada historicamente pela Igreja Católica em nosso País, não justifica ato de vandalismo.”

Uma das organizadoras do protesto, a programadora cultural Jaqueline Vasconcellos disse que o ato “não representa o pensamento da manifestação”. “Mas entendemos e nos solidarizamos com as mulheres que se manifestaram contra a instituição. Entendemos que a Igreja Católica é um instrumento do patriarcado”, afirmou. Jaqueline disse, porém, que não é “contra nenhuma religião”.

Um boletim de ocorrência foi registrado no 8.º Distrito Policial (Brás) no fim da tarde de sábado. Até as 20h50, ainda não havia informações sobre a identificação de autores das pichações nem prisões. A limpeza das paredes e portas da Catedral da Sé estava prevista para ser realizada neste domingo.

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