Catedral cancela cerimônias no Rio

Sem-teto despejados de terreno da Oi pela PM acamparam na Igreja; para Arquidiocese, não havia segurança para realizar programação

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2014 | 02h01

As cerimônias da Paixão de Cristo marcadas para ontem na Catedral Metropolitana do Rio, no centro da cidade, foram canceladas por causa da presença de um grupo de sem-teto que foi retirado há uma semana, pela Polícia Militar, de um terreno da Oi localizado na zona norte.

Os cerca de 50 ocupantes chegaram por volta das 6h e montaram acampamento na porta da Catedral. Uma ação litúrgica estava marcada para ocorrer às 15h no local. A programação ainda previa a realização do Auto da Paixão, que é feito há 45 anos, para a noite de ontem. Os dois eventos foram cancelados por motivo de segurança.

Em nota, a Arquidiocese do Rio informou que "ofereceu-se para mediar uma solução" provisória e que, "apesar de os necessitados a terem inicialmente aceito, ao final, não se chegou a uma solução satisfatória". Por isso, a Arquidiocese acabou decidindo que a catedral permaneceria fechada todo o dia.

Na capital paulista, moradores de rua percorreram as ruas do centro para chamar a atenção das autoridades para a violência e o déficit habitacional.

Conduzida pela Pastoral do Povo da Rua, a iniciativa completou 30 anos ontem, sob a coordenação do padre Júlio Lancellotti.

À tarde, o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer, celebrou a Paixão na Catedral da Sé. Em seguida, nova procissão tomou as ruas do centro. Hoje, Scherer conduz a Vigília Pascal, a partir das 19 horas.

Pelo mundo. O calvário de Jesus foi lembrado ontem com demonstrações de fé em todo o mundo. Procissões e encenações da Via Sacra, nome dado ao caminho trilhado por Cristo até a cruz, tomaram as ruas de Jerusalém e de países como Espanha, Filipinas, Alemanha, Inglaterra e Brasil.

Como manda a tradição, o papa Francisco iniciou a celebração da Paixão de Cristo, às 15 horas, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. O pontífice, com vestimentas vermelhas, se deitou no chão, em um momento de oração e penitência. Mais tarde, acompanhou as 14 estações do calvário com milhares de fiéis. Na cerimônia, a cruz, carregada por várias pessoas, percorre o Coliseu, passa na frente do Arco de Trajano e chega ao Palatino, onde o papa a esperava.

Nas Filipinas, maior nação católica da Ásia, devotos do norte do país se pregaram em cruzes de madeira para encenar a crucificação de Cristo. Eles acreditam que a dor extrema seja necessária para pagar os pecados, obter cura milagrosa de doenças e agradecer a Deus.

O ritual, que todos os anos atrai milhares de espectadores em uma mistura de fé cristã e crença popular, é criticado por líderes da Igreja Católica e autoridades de saúde pelos riscos impostos aos participantes.

Além de orações, a Sexta-Feira Santa foi marcada por manifestações. Na Venezuela, estudantes protestaram contra o governo de Nicolás Maduro. Descalços, encenaram a Via Sacra de Cristo e promoveram a queima de imagens do presidente venezuelano. / ADRIANA FERRAZ e AFP

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