Casos de estupro e latrocínio sobem em São Paulo; índice de roubo fica estável

Os estupros subiram 11,19% comparado a novembro de 2015, quando foram registrados 822 casos no Estado. A notificação aumentou tanto na Grande São Paulo quanto no interior

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2016 | 12h25

SÃO PAULO - Pelo quarto mês consecutivo, o Estado de São Paulo teve aumento no número de notificações de estupro, com uma média de 30,4 casos registrados por dia em novembro, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), divulgados nesta sexta-feira, 23. Também subiram os índices de latrocínio, roubo a banco e de carga, além das ocorrências de furto. Em alta ao longo de 2016, os roubos em geral recuaram 0,07% - o que representa uma estabilidade no mês.

Foram 914 casos de estupro registrados em São Paulo no mês passado. O índice representa 11,2% a mais do que em novembro de 2015, quando houve 822 ocorrências. Capital, Grande São Paulo e interior registraram aumento na estatística do crime, que subiu em oito dos 11 meses deste ano. Entre janeiro e novembro, a alta foi de 6,4% em comparação ao mesmo período de 2015.

Só na cidade de São Paulo foram 205 registros de estupro - 17,8% a mais do que em novembro de 2015, que teve 174 ocorrências. Para o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves, o aumento pode estar relacionado à diminuição da subnotificação. O secretário, no entanto, afirmou que é ainda preciso fazer campanha para conscientizar a população sobre a importância de informar as ocorrências à polícia. Historicamente, a maior parte dos estupros cometidos deixa de ser registrada pelas vítimas. "A gente sente que o número de notificações tem aumentado."

"Os índices são tristes e alarmantes, mas, em um primeiro momento, podem revelar que houve redução de subnotificação - o que não significa que chegamos a um patamar aceitável", disse a promotora Silvia Chakian, do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid). Segundo afirma, contudo, é preciso realizar um estudo mais aprofundado dos casos, com informações sobre vítimas, autores e locais de crime, para ter certeza se esse é o único motivo do aumento da estatística.  

Questionado sobre políticas de prevenção, Mágino afirmou que a ação policial é limitada. Segundo o secretário, a polícia "só consegue combater" diretamente os casos de estupro em que o autor não conhece a vítima - a minoria das ocorrências. "Em 82%, autor e vítima são pessoas que se conhecem. Se eu consigo ter a notificação dos outros 18%, eu posso mapear o crime, identificar quem praticou três ou quatro estupros na região, montar uma operação e prendê-lo", afirmou. 

Mágino disse, ainda, que será lançado um "protocolo único de atendimento" para vítimas de crimes sexuais e de violência doméstica no início de 2017. "Toda delegacia vai ter um padrão único para atender as vítimas", afirmou. Entre as mudanças, o novo método deve proporcionar o recolhimento de DNA já no início da coleta de provas e aprimorar o "acolhimento nas repartições criminais". Para isso, policiais serão apresentados a perspectivas de gênero durante sua formação.

A medida é comemorada por especialistas em violência contra as mulheres. "É um pleito antigo para o atendimento das mulheres e representa um grande avanço", afirmou a promotora Silvia Chakian. "Esse tipo de violência exige um olhar especial das autoridades, mais humanizado. Profissionais capacitados com a perspectiva de gênero podem evitar a revitimização e o que chamamos de 'rota crítica': o conjunto de respostas negativas que uma mulher pode receber por parte dos agentes públicos quando busca justiça."

Outros crimes. Com 28 ocorrências registradas no Estado, os latrocínios (roubo seguido de morte) tiveram aumento de 7,69% em novembro, de acordo com a SSP. No ano passado, foram 26 casos. Já na capital, o índice caiu 8,3% no mês, com uma ocorrência a menos. Ao todo, foram 11 registros em novembro de 2016, ante 12 no ano passado.

Os furtos aumentaram 4,3% no Estado, passando de 41.673 para 43.462 notificações no mês passado. A alta é ligeiramente menor na capital, com 15.557 casos em novembro, ou 3,6% registros a mais na comparação entre os períodos. Em 2015, a cidade de São Paulo havia notificado 15.006 ocorrências. Nos casos de furto de veículo, o índice caiu 4,9% no Estado e 6,1% na capital. 

Após nove meses em alta, os roubos interromperam a sequência e demonstraram estabilidade no Estado. Houve recuo de 0,07% em novembro de 2016, com 27.052 crimes registrados - 19 casos a menos comparado ao ano passado. "A redução é modesta, mas nós devemos comemorar", afirmou Mágino. "A reversão era previsível porque, mês a mês, o aumento estava caindo. É fruto do trabalho da polícia", disse. Já na soma do ano, os roubos subiram 5,5%. 

Especificamente, os roubos a banco e roubos de carga registraram aumento. Em novembro de 2015, foram 10 casos registrados do primeiro crime no Estado, contra 14 ocorrências neste ano. Já o segundo subiu de 759 ocorrências para 975 - alta de 28,4%.

O secretário também voltou a relacionar a onda de crimes patrimoniais à crise econômica que, segundo ele, é responsável por um "acréscimo significativo" nas ocorrências. "Para reverter o quadro, é preciso policiamento nas ruas e estratégia de combate", disse. Na capital, o índice de roubo caiu 2,3%, com 13.539 registros em novembro de 2016, contra 13.854 no ano anterior. Entre janeiro e novembro, no entanto, houve aumento de 3,4%.

Na quinta-feira, 22, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) já havia antecipado as estatísticas de homicídio. A SSP registrou queda de 13,3% no Estado, com 261 assassinatos em novembro, e de 14,8% na capital, com 69 ocorrências. Com isso, as taxas de homicídios passaram para 8,13 casos a cada 100 mil habitantes no Estado e para 7,41, na capital. Segundo a secretaria, trata-se do menor número já registrado desde o início da série histórica, em 2001.

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