Caso Yoki: inquérito vai apurar se Elize teve ajuda

Promotor determinou abertura de investigação para saber se um homem auxiliou no esquartejamento do executivo Marcos Matsunaga em maio

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2012 | 03h04

O Ministério Público Estadual determinou ontem abertura de inquérito para apurar se alguém ajudou a bacharel em Direito Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos, a esquartejar e desaparecer com o corpo do marido, o executivo Marcos Kitano Matsunaga, depois que ela o matou em 19 de maio. A presença do DNA de um homem e cortes no cadáver, atestados pelos laudos periciais, despertaram suspeita da Promotoria.

Segundo o promotor José Carlos Cosenzo, não há dúvida de que foi Elize quem atirou contra o marido e o novo inquérito solicitado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) não interfere no andamento do processo atual. Para ele, o procedimento é necessário para esclarecer dúvidas. "O perito disse de forma clara que, pela maneira como os cortes foram feitos, duas pessoas participaram. Posteriormente, o material do DNA, colhido no local do evento, indica a presença de três pessoas: a vítima, uma pessoa do sexo masculino e uma do sexo feminino", disse. "É algo impositivo, que eu devo investigar."

O laudo necroscópico elaborado pelo legista Jorge de Oliveira aponta que "as secções feitas na região abdominal e membros inferiores apresentam características praticadas por pessoa ou pessoas com noções de Anatomia, enquanto as secções em raízes de membros superiores apresentam retalhos de pele, indicando dificuldade ou desconhecimento anatômico da região".

O promotor disse que, desde que recebeu o inquérito, suspeitou de que alguém havia colaborado com Elize. Cosenzo falou que a ré seria incapaz de controlar todas as circunstâncias do crime, como se desfazer do corpo, mandar e-mails à família da vítima e depositar dinheiro na conta de Matsunaga, para sugerir que ele estava vivo.

Para o promotor, Elize contou com a ajuda de uma pessoa bastante próxima. "Ela não chamaria alguém para participar do crime se não fosse de absoluta confiança."

Investigações do DHPP apontaram que Elize matou o executivo ao descobrir que estava sendo traída por ele com uma garota de programa. Logo depois, esquartejou o corpo e, no dia seguinte, espalhou as malas por Cotia, na Região Metropolitana. Ela confessou o crime.

Certezas. Para o delegado Mauro Dias, responsável pelo inquérito, Elize não teve ajuda. "Estou convencido de que ela fez tudo sozinha."

O advogado de Elize, Luciano Santoro, afirmou ontem que o promotor tenta provar a existência de mais alguém no local para aumentar a pena da ré. "Para comprovar a premeditação, ele precisa da terceira pessoa. Mas não há terceira pessoa."

Segundo Santoro, não é possível determinar, baseado no DNA no local, se um homem participou ou não do assassinato. "O próprio promotor questionou a perita, que disse que poderia ser anterior, concomitante ou posterior ao crime. Não dá para saber de quando foi."

O advogado afirmou também que a diferença nos cortes pode ser justificada pelo fato de que o executivo estava com camiseta quando foi esquartejado - o tecido modificaria a secção.

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