Ed Ferreira/AE
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Caso Villela: porteiro agora é suspeito

Investigação paralela da polícia aponta participação de ex-funcionário e receptador de joias na morte de ministro do TSE em Brasília

Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

Depois de apresentar duas versões para o assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, de sua mulher, Maria Carvalho, e da empregada do casal Francisca Nascimento da Silva, a Polícia Civil do Distrito Federal afirmou ontem ter novos suspeitos - o ex-porteiro do prédio da família, um receptador de joias e um terceiro homem cujo nome ainda não foi divulgado.

As vítimas foram mortas com 78 facadas em 31 de agosto do ano passado, no apartamento onde moravam, em uma quadra nobre de Brasília.

A identidade dos novos suspeitos, supostamente obtida em investigação secreta de grupo da polícia não ligado à direção do órgão, ocorreu um mês depois de a filha do casal, a arquiteta Adriana Villela, ser denunciada pelo Ministério Público como mandante do crime. Ela nega a acusação. O diretor da Polícia Civil do Distrito Federal, Pedro Cardoso, e auxiliares seguiram ontem para a cidade de Montalvânia, em Minas Gerais, para ouvir e prender Paulo Santana, apontado como um dos assassinos do casal e receptador das joias roubadas no local.

A polícia chegou ao nome de Santana depois que um preso do Presídio da Papuda, filho de outro suposto assassino do casal e da empregada, Leonardo Campos Alves, teria contado sobre a participação do pai no caso.

Ex-porteiro por 15 anos do prédio onde o casal morava, Alves teria confirmado a informação ao grupo paralelo de investigação. Teria dito ainda que os R$ 700 mil roubados do apartamento foram divididos em Brasília com outros envolvidos, enquanto Santana teria levado as joias para vendê-las no interior de Minas, onde está detido.

Encarregada oficialmente das investigações, a Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida) não foi informada sobre o novo andamento do caso e mantinha ontem a hipótese de que Adriana é a mandante do crime. Os fatos não foram informados ao promotor do caso, Maurício Miranda.

Por isso, a confirmação sobre a prisão dos suspeitos só será feita após Alves e Santana contarem como entraram no apartamento sem arrombar a porta e fugiram sem deixar marcas. O objetivo é não deixar dúvidas sobre os procedimentos da polícia, questionados após uma série de episódios durante as investigações. Primeira encarregada da apuração, a delegada Martha Vargas recorreu às informações de uma vidente para prender três suspeitos do crime. Como sua tese não se confirmou, ela foi afastada em dezembro, a pedido do Ministério Público. O caso foi então passado para a Corvida, a delegacia especializada que acusou Adriana pelo crime.

CRONOLOGIA

Idas e vindas

Setembro de 2009

As pistas indicavam que o assassino seria alguém próximo à família.

Novembro de 2009

Em dois meses de investigação, oito suspeitos foram detidos e liberados em seguida por falta de provas.

Agosto de 2010

Adriana Villela é presa, acusada de ser a mandante. A faxineira do casal, uma vidente amiga da família e o marido dela também foram presos.

Setembro de 2010

A delegada que primeiro investigou o crime, Martha Vargas, passa a ser suspeita. As prisões de Adriana e da vidente são relaxadas.

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