Caso Villela: ex-porteiro descreve, em detalhes, a cena do crime

Em depoimento de oito horas, ex-funcionário de prédio do casal afirma que agiu apenas com a ajuda de um cúmplice

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

O ex-porteiro Leonardo Campos Alves, que afirmou ter matado o ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, a mulher dele e a empregada do casal, deu detalhes de como teria cometido o crime com a ajuda de um cúmplice, Paulo Cardoso Santana. As vítimas foram assassinadas com 73 facadas. Em depoimento ao qual o Estado teve acesso, Alves descreve a posição dos corpos e as roupas usadas pelas vítimas, como a "blusa azul-claro de mangas compridas e calça social de cor escura" que a mulher do ex-ministro vestia. Ele disse ainda que não há mandantes do crime.

Ao depor por oito horas, com a presença da delegada Deborah Menezes, da 8.ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, Alves afirmou ainda que, meses após o crime, começou a trocar em Montes Claros (MG) os dólares roubados do casal, depois que o dinheiro obtido com a venda das joias dos Villelas acabou.

O depoimento, prestado na noite de quarta-feira, segundo a delegada, é coerente com o de Santana, que foi ouvido ontem à tarde em Montalvânia (MG), onde está preso por outro homicídio. Em seu relato, Santana disse que jogou as facas que teriam sido usadas no crime em um rio perto de Montes Claros. A única diferença é que revelou ter lavado as mãos e limpado os vestígios de sangue da roupa antes de sair da casa das vítimas.

Ouvido no mesmo dia de Alves, também em Montalvânia, o lavrador Neilor Teixeira da Mota, tio de Santana, contou à polícia como o sobrinho passou a gastar dinheiro, sair com mulheres e usar drogas após o crime. Pressionado pelo tio, ele teria confessado o crime. "Quando ele (Villela) caiu no chão (Santana) começou a esfaqueá-lo com muitas facadas e quanto mais esfaqueava, mais dava vontade de esfaqueá-lo", disse Mota.

O ex-porteiro foi intimado duas vezes ainda na primeira fase das investigações pela delegada Martha Vargas da 1.ª DP do Distrito Federal. Ele foi a Brasília, depôs e foi dispensado.

Após recorrer a uma vidente, Martha foi afastada do caso e o inquérito passou para a Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida), que apontou a arquiteta Adriana Villela, filha do casal, como única suspeita do crime. Ela foi denunciada à Justiça. Ontem, o juiz Fábio Esteves, do Tribunal do Júri, determinou que a 8.ª DP saia do caso e entregue todo o material apurado à Corvida.

DEPOIMENTO

"Quando ele (Villela) estava entrando, o Paulinho deu-lhe um forte tranco no meio das costas. O Sr. José Villela caiu no chão, de bruços e desfaleceu... O interrogando (Leonardo) aplicou o primeiro golpe nas costas, lado esquerdo, não tendo visto se a lâmina da faca entrou totalmente (...)."

"Ela (Maria, mulher de Villela) tentou se soltar dele, dando um impulso para frente, instante em que Paulinho, ainda a segurando pelo colarinho, por trás, passou a golpeá-la, na região do tórax."

LEONARDO CAMPOS ALVES, AUTOR CONFESSO DO TRIPLO HOMICÍDIO

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