Caso Pesseghini: médica diz que doença não mudava o comportamento do garoto

Estudante de 13 anos tinha fibrose cística e era acompanhado pela profissional desde um ano de idade; ele é suspeito de ter matado familiares e cometido suicídio, no começo do mês

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2013 | 13h37

Atualizado às 15h05.

SÃO PAULO - A médica Neiva Damaceno, ouvida nesta quinta-feira, 22, no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que a fibrose cística do estudante Marcelo Pesseghini, suspeito de matar a família e se matar no dia 5, não causava nenhuma alteração de comportamento no menino de 13 anos. Ela também negou qualquer influência na postura do garoto dos remédios tomados por ele para conter o avanço da doença.

O delegado Itagiba Franco disse que nesta sexta-feira, 23, devem ser ouvidos mais dois alunos da escola em que Marcelo estudava. Na semana que vem, mais cinco PMs, provavelmente os primeiros a entrar na casa após a chacina, serão ouvidos e os laudos deverão ficar prontos.

Neiva acompanhava Marcelo desde que ele tinha um ano de idade, uma vez que a patologia apresentada por ele é degenerativa, sem cura e de baixa expectativa de vida. Itagiba Franco, responsável pelo caso, procurou com o depoimento esclarecer uma das principais lacunas das investigações: a motivação do estudante para cometer os crimes. Isso porque, segundo os relatos colhidos, ele tinha boa relação com os parentes assassinados. Os corpos foram achados no dia 5 com tiros na cabeça e na nuca na casa da família, na Brasilândia, zona norte de São Paulo.

Itagiba reafirmou que os laudos do Instituto Médico Legal e da perícia devem ser entregues na semana que vem, permitindo a conclusão do inquérito. Os documentos mostrarão detalhes como o horário da morte de cada uma das vítimas.

Nessa quarta-feira, 21, foi divulgada uma outra prova incriminando Marcelo. Um vídeo de 36 horas ininterruptas, gravado por uma câmera de segurança de um edifício na frente do local onde o veículo da mãe do estudante ficou estacionado no dia do crime, mostra o garoto saindo sozinho do carro perto de seu colégio.

As imagens reforçam as suspeitas da polícia de que ele teria matado a família na noite do dia 4 ou o início da madrugada do dia 5, dirigido o carro da mãe de madrugada até o colégio e assistido às aulas. Em seguida, o estudante voltou de carona com o pai de um amigo e cometeu o suposto suicídio.

Cerca de 35 pessoas já foram ouvidas desde a abertura do inquérito policial. Franco pediu ainda um parecer do psiquiatra forense Guido Palomba para traçar um perfil psicológico do garoto. O profissional vinha acompanhando o caso pelo noticiário.

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