Caso Mércia: depois de Mizael, TJ agora manda soltar vigia

Alegação foi a mesma que deu habeas corpus a ex-namorado: são primários e sempre atenderam a polícia

Priscila Trindade e Julia Baptista, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2010 | 00h00

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) revogou ontem a prisão preventiva do vigia Evandro Bezerra Silva, acusado de ajudar o advogado e PM aposentado Mizael Bispo de Souza a matar a advogada Mércia Nakashima, ex-namorada do ex-policial. Eles foram denunciados pela Promotoria de Justiça de Guarulhos.

A desembargadora Angélica de Almeida, da 12.ª Câmara de Direito Criminal, afirmou que "a revogação se deu pelas mesmas razões" da concessão de habeas corpus a Mizael, na semana passada, dois dias depois de a Justiça de Guarulhos ter decretado a prisão do ex-PM a pedido do Ministério Público. Na ocasião, ela havia dito que "o advogado, primário e sem antecedentes criminais, sempre atendeu ao chamamento da autoridade policial".

O Ministério Público entrou ontem com uma contestação contra a decisão. O procurador de Justiça Sérgio Neves Coelho pede que o TJ reconsidere, argumentando que Mizael não tem colaborado com a instrução criminal, pois não se apresentou nem à polícia nem à Justiça, permanecendo foragido até o momento da revogação do decreto de prisão provisória.

O procurador argumenta também que Mizael descumpriu o artigo 328 do Código de Processo Penal, que prevê que, em casos de liberdade provisória, o acusado não poderá mudar de residência sem permissão prévia nem ficar mais de oito dias fora de casa sem avisar à autoridade o lugar onde será encontrado.

Crime. Mércia foi encontrada morta no dia 11 de junho em uma represa no interior de São Paulo. Ela havia desaparecido no dia 23 de maio. Para a polícia, o fim do relacionamento seria o motivo para o crime. Mizael nega envolvimento no assassinato da ex-namorada.

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