Caso Mércia: decretada prisão de ex-namorado

Acusado de matar advogada, Mizael Souza está foragido; defesa diz que ele não se entregará

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2010 | 00h00

A polícia está à procura do advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, de 40 anos. A Justiça aceitou ontem a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva do ex-PM pelo assassinato da ex-namorada, Mércia Mikie Nakashima, de 28. Ele é acusado de agredi-la, atirar três vezes contra ela e jogá-la na Represa de Nazaré Paulista, no interior paulista, em 23 de maio deste ano.

Ontem mesmo, o delegado Antonio de Olim, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), fez diligências, mas não encontrou Mizael.

"Não, ele não vai se apresentar", disse o advogado do acusado, Samir Haddad Júnior. "O juiz que decretou a prisão é incompetente, porque não é dele o processo, é de Nazaré Paulista. Vou entrar com pedido de habeas corpus", disse. Para ele, o caso deveria ser analisado em Nazaré, não em Guarulhos, onde Mércia morava e teria se encontrado com o ex-PM antes de ser morta.

Para o promotor Rodrigo Merli Antunes, o argumento de Haddad "é estratégia da defesa". Segundo ele, em crimes que começam em uma cidade e terminam em outra, a jurisprudência indica que o processo deve tramitar onde melhor será feita a colheita de provas. "Os envolvidos são de Guarulhos. Os réus e quase todas as testemunhas são de Guarulhos e as provas foram colhidas e obtidas lá."

O juiz Leandro Jorge Bittencourt, da Vara do Júri de Guarulhos, abriu processo contra Mizael e o vigia Evandro Bezerra da Silva, de 38, que já está preso, por homicídio qualificado. Rejeitou, porém, a acusação de ocultação de cadáver. "A intenção de jogar a vítima na represa não era de ocultar o cadáver, e, sim, de consumar o delito doloso contra a vida", justificou.

Em relação à prisão da dupla, o juiz entendeu que eles "estão envolvidos em crime de extrema gravidade, demonstrando insensibilidade moral e enorme periculosidade".

O juiz classificou como "veementes" os indícios contra os dois. Além de depoimentos, polícia e Promotoria reuniram como provas os dados do GPS do carro de Mizael e os registros telefônicos que desmentem a versão do ex-PM de que ele estaria em seu carro com uma prostituta, das 18h37 às 22h12, do dia 23 de maio, data da morte de Mércia.

Mizael chegou a ter prisão temporária decretada por 30 dias em julho. Fugiu, alegando que a decisão era arbitrária. E tornou a aparecer depois da revogação da ordem, no dia 14 do mesmo mês.

Família

Márcio Nakashima, irmão da advogada, disse que a decisão de ontem é um consolo. "A Mércia amava a Justiça, o Direito. E a justiça começou a ser feita."

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