Caso Glauco: motorista fala em sequestro

Felipe Iasi diz que foi dominado e obrigado por suspeito a levá-lo à casa de cartunista

Josmar Jozino, Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

15 Março 2010 | 00h00

O rapaz que dirigiu o carro usado pelo acusado de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, de 53 anos, e seu filho, Raoni, de 25, disse ontem à polícia que é mais uma vítima do crime. O estudante Felipe de Oliveira Iasi, de 23, afirmou que foi sequestrado por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24, apontado como autor do crime, e obrigado a levá-lo à casa do cartunista.

Eram 16h35 quando Iasi, em companhia do advogado Cássio Paoletti Júnior, apresentou-se à polícia. Ele prestou depoimento até às 21h20. "Ele está muito abalado", disse o advogado. O estudante contou que, na noite de quinta-feira, recebeu um telefonema de Nunes. Ele foi apanhá-lo em casa. O rapaz afirmou que pensou que o amigo quisesse ir a um bar para se divertir, mas, no meio do caminho, Nunes o dominou com uma pistola semiautomática de calibre 7,65 mm.

Disse-lhe que precisava ir à casa de Glauco para provar que era Jesus Cristo. "Seu estado psíquico parecia alterado. Não falava coisa com coisa e dizia que era a reencarnação de Jesus Cristo", afirmou o advogado Paoletti.

Iasi negou ter ajudado Nunes a fugir. Contou que aproveitou a discussão do acusado com a família do cartunista, que Nunes mantinha sob a mira da arma, para escapar. Disse que bateu o carro em uma lata de lixo e deixou o Gol na casa da mãe. Só no dia seguinte soube o que ocorrera.

Sua mãe, Eneida de Oliveira, procurou o advogado, que foi à polícia e se comprometeu a colaborar. O Gol foi entregue anteontem à polícia. Ontem, foi a vez de Iasi ir à Delegacia Seccional de Osasco, na Grande São Paulo.

De acordo com o delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, pontos do depoimento do rapaz coincidem com o de Juliana, a enteada de Glauco, que foi ouvida na sexta-feira. O advogado Paoletti disse que seu cliente foi mais uma vítima no caso.

O crime ocorreu à 0h30 de sexta-feira, na chácara do cartunista, em Osasco. Nunes é acusado de dominar Juliana, entrar na casa e manter sob a mira da arma a família de Glauco. Queria levá-los até a casa de sua mãe, para que suas vítimas confirmassem que ele, o estudante, era Jesus.

Segundo testemunhas, o acusado disparou quatro vezes contra Glauco e outras quatro contra Raoni. A polícia desconfiava que a fuga ocorrera no Gol de Iasi. Em entrevista ao Fantástico, a viúva de Glauco, Ana Beatriz, disse ontem que Iasi entrou em sua casa com Nunes e afirmou que este fugiu sim no carro de Iasi.

Telefonema. Na noite de sábado, o acusado do crime telefonou para a viúva e disse: "Oi, aqui é o Cadu (como Nunes é conhecido)". Assustada com o telefonema, ela pediu ajuda à polícia. A segurança da chácara foi reforçada. Nunes permanecia foragido até a noite de ontem.

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