Caso Glauco: GPS contradiz Felipe Iasi

Caso Glauco: GPS contradiz Felipe Iasi

Motorista que alega ter sido sequestrado pelo assassino do cartunista e do filho dele mentiu sobre horário em que voltou para casa

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

27 Março 2010 | 00h00

O estudante Felipe de Oliveira Iasi, de 23 anos, suspeito de ter dado fuga para o amigo Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 24, acusado de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, de 53 anos, e o filho dele Raoni, de 25, mentiu no primeiro depoimento para a Polícia Civil.

No dia 14, o rapaz disse que chegou em casa, na Rua Francisco Leitão, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, à 0h33 do dia 13, pouco depois do horário em que ocorreu o crime. No entanto, o GPS de seu Gol cinza mostrou que à 0h54 ele estava na Rua Estados Unidos, região dos Jardins, zona sul.

O delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Osasco, já recebeu as contas de telefone detalhadas de Iasi e de Cadu. Ambos tiveram o sigilo telefônico quebrado por ordem judicial. A Polícia Civil confrontou os dados do GPS do carro de Iasi com os horários das ligações feitas por Cadu para saber se os dois retornaram juntos de Osasco, onde ocorreu o crime.

No primeiro depoimento, Iasi alegou ter chegado em casa à 0h33. No mesmo horário, Cadu fez uma das duas ligações para o 190 da Polícia Militar, informando que havia cometido um crime e gostaria de se entregar. A Polícia Civil acredita que Iasi disse ter chegado em casa à 0h33 porque sabia que o amigo tinha telefonado naquele horário para a PM e, com isso, criaria um álibi para afastar qualquer suspeita de ter dado fuga ao atirador. O GPS também mostrou que Iasi deixou o carro estacionado na rua de trás do prédio onde mora, mesmo tendo vaga na garagem de seu edifício.

Buscas. Ontem de manhã, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas de Cadu e de Iasi. Foram apreendidos HDs de computadores. Veras Júnior apura se os dois rapazes tiveram um relacionamento mais próximo dias antes dos assassinatos e também se premeditaram juntos o crime.

"Sou inocente". No segundo depoimento prestado a Veras Júnior, no dia 22, Iasi, segundo a Polícia Civil, não quis responder às perguntas e disse que apenas falaria em juízo. Após o interrogatório, o rapaz foi indiciado como partícipe (colaborador) do crime, uma vez que pulou o muro da casa e abriu o portão para a entrada do assassino. "Estou revoltado. Sou inocente", disse o indiciado, ao deixar a Delegacia Seccional de Osasco, após o depoimento.

Iasi alega ter sido sequestrado por Cadu e obrigado a levá-lo à casa do cartunista no fim da noite do dia 12. Afirmou ainda ter fugido da chácara de Glauco antes de Cadu ter disparado contra as vítimas. Acrescentou que não deu carona ao amigo na volta, perdeu-se e teve até de parar em um posto de gasolina para pedir informações, ainda no município vizinho à capital. Ainda de acordo com policiais, Iasi afirmou em depoimento que na chegada a São Paulo errou o caminho na Marginal do Tietê, entre as Pontes da Freguesia do Ó e da Casa Verde.

Telefonemas. O delegado Archimedes Cassão Veras Júnior ainda rastreia as ligações feitas pelos dois rapazes a partir de janeiro deste ano. O policial quer saber se ambos se conheciam há dois meses, como afirmou Iasi em seu primeiro depoimento, prestado dia 14. Veras Júnior apura também para quem Cadu e Iasi telefonaram antes, durante e depois do assassinato.

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