Caso Friboi: Giselma é condenada a 22 anos de prisão pela morte do ex-marido

Mesmo condenada, ela saiu do Fórum pela porta da frente por decisão do STF

Mônica Reolon, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2013 | 19h57

SÃO PAULO - Quase cinco anos depois do crime, Giselma Carmem Campos Magalhães foi condenada por júri popular por ter mandado matar o ex-marido e diretor-executivo da Friboi Humberto Magalhães. A pena será de 22 anos e 6 meses de prisão por homicídio duplamente qualificado, motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. Os familiares de Humberto que estavam no plenário se abraçaram no momento da sentença.

O empresário foi executado com dois tiros por um motoqueiro perto de sua casa, no bairro Vila Leopoldina, no dia 4 de dezembro de 2008.

Mesmo condenada, Giselma não saiu presa do Fórum Criminal da Barra Funda. Um habeas corpus obtido no Supremo Tribunal Federal permite que ela permaneça livre até o último recurso. Já o seu meio-irmão, Kairon Vaufer Alves, réu-confesso por ter ajudado a irmã no planejamento do crime, foi condenado a 21 anos. A pena dele foi atenuada porque Kairon estava preso preventivamente desde o final de 2008 no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros.

A mãe de Humberto, Maria Ilda Magalhães, declarou que a justiça foi feita. "Se ela tivesse saído daqui algemada era melhor", disse. O filho mais novo do casal, Carlos Eduardo Campos Magalhães, que testemunhou contra a mãe, considera que a pena foi branda. "Achei que ela merecia uma pena maior em vista do que fez com meu pai", afirmou.

Julgamento. O promotor José Carlos Consenzo usou a confissão de Kairon como evidência da participação de Giselma no assassinato. O meio-irmão disse que ela o procurou no Maranhão pedindo ajuda para matar o ex-marido porque tinha muito ciúmes das mulheres com quem ele se envolvia e não aceitava que Humberto a abandonasse depois de 20 anos de casamento. Segundo o promotor, ela também teria motivos financeiros para matar o ex-marido.

Por sua vez, a Defesa de Giselma insistiu na dúvida, que beneficiaria a ré, afirmando que não haviam provas concretas da participação dela no crime. "Ela nunca confessou", afirmou o advogado Mauro Nacif. A advogada de Kairon, Vitória Gonçalves de Lacerda, ressaltou a postura arrependida de seu cliente e pediu atenuante da pena por esse motivo.

O julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda durou quatro dias. Cinco testemunhas de acusação e duas de defesa foram ouvidas. Além do depoimento de Carlos Eduardo, o filho mais velho de Giselma e Humberto, Marcus Vinícius Campos Magalhães, testemunhou a favor da mãe.

Entenda. Giselma planejou a morte do ex-marido junto com seu irmão por parte de mãe, Kairon Vaufer Alves. Kairon, mediante pagamento, contratou dois homens para tirar a vida de Humberto e, na noite de 4 de dezembro de 2008, o empresário foi executado com dois tiros perto de sua casa, no bairro Vila Leopoldina. O motoqueiro Paulo dos Santos e o seu contratante Osmar Gonzaga Lima já foram julgados e condenados a 20 anos de prisão cada um. Giselma chegou a ficar presa por um ano e cinco meses antes de obter uma liminar do STF.

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