Caso Eloá começa a ser julgado hoje

Futuro de Lindemberg Alves, que há 3 anos matou ex-namorada, será definido por 7 jurados; expectativa é de que resultado saia até 4ª

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 03h07

Agora falta pouco. Três anos e quatro meses após ver a filha Eloá ser assassinada pelo ex-namorado, Ana Cristina Pimentel, de 45 anos, conta as horas para saber quanto tempo Lindemberg Alves, hoje com 25 anos, passará na prisão. Ela não tem dúvidas sobre a condenação, mas curiosidade a respeito da pena, que, se for máxima, poderá chegar a cem anos. O julgamento começa às 9h de hoje no Fórum de Santo André, no ABC Paulista.

Enquanto espera pela confirmação, Ana Cristina retoma a vida, incentivada pelo nascimento do primeiro neto - Vitor, de 7 meses. "Nunca vou esquecer o que aconteceu, mas preciso continuar vivendo. Tenho outros dois filhos." Sem mencionar o nome Lindemberg, a mãe da vítima revela que, além de justiça, espera que "ele" se arrependa. "Até agora, isso não aconteceu. Na última audiência, no ano passado, olhou para mim e para meus filhos e riu da nossa cara."

Além de sair do fórum com a certeza de que o assassino de sua filha pagará por seus crimes, Ana Cristina espera também fechar o capítulo mais triste de sua vida. "Ter paz. É só o que quero", resume a recepcionista. Mas, até o veredito final, uma longa jornada será travada entre a acusação e a defesa de Lindemberg.

O futuro do réu será decidido por sete jurados, que a partir de hoje poderão ouvir o depoimento de até 19 testemunhas - 5 de acusação e 14 de defesa. Eles dirão se o motoboy é ou não culpado por homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, disparo de arma de fogo e cárcere privado. Ao todo, são 12 acusações.

A expectativa é de que o resultado saia até quarta-feira, quando a dúvida sobre a fala de Lindemberg também será sanada. Até hoje, o réu não se defendeu. E haverá outras incertezas. Não sobre a autoria dos disparos que mataram Eloá - a perícia já confirmou que as balas partiram da arma do acusado -, mas sobre a atuação da polícia.

Para a defesa especialmente, culpar o fracasso das negociações e a invasão do apartamento pela tragédia podem reduzir a pena de Lindemberg. Já para as famílias das vítimas essa tese pode favorecer a obtenção de uma indenização do Estado.

Somente a família de Nayara - a melhor amiga da vítima, que após ser libertada do cárcere voltou a ser presa por Lindemberg quando participava das negociações - pede R$ 2 milhões. Os advogados de Ana Cristina Pimentel também mantêm uma ação contra o Estado. Nela, reivindicam R$ 1 milhão de indenização. A família afirma que Eloá poderia ter sido salva se a polícia tivesse agido de forma mais rápida e eficiente durante o cárcere.

O pai. Ana Cristina quer paz para cuidar da família e para lutar pela liberdade do marido, o pai de Eloá, que fugiu em meio à angústia do sequestro porque foi reconhecido pela polícia de Alagoas como suspeito de participar de um grupo de extermínio. Ficou foragido por um ano, mas está preso há dois anos, em Maceió. Everaldo Pereira dos Santos e a mãe de Eloá se comunicam constantemente, por carta ou por telefone. "Sonhamos ficar juntos novamente", diz ela.

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