Caso Bruno: testemunha diz que Bola jogou cinzas de Eliza em lagoa de MG

No 2º dia de julgamento, goleiro troca de advogado e promotor pede que seis testemunhas sejam dispensadas por terem usado celular

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h04

O detento Jaílson Alves de Oliveira confirmou ontem, no segundo dia do julgamento do goleiro Bruno Fernandes, que ouviu o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, assumir que matou Eliza Samudio, queimou seu corpo e jogou as cinzas em uma lagoa da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Oliveira está preso na Penitenciária Nelson Hungria, a mesma unidade de Bruno, Bola e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito do ex-atleta.

Ele havia feito várias outras acusações contra o grupo, já investigadas, mas nunca comprovadas pela polícia. Para o promotor Henry Wagner Vasconcelos, porém, as denúncias são válidas por causa da riqueza de detalhes com que o preso narra as acusações. O preso também disse que foi ameaçado de morte por Bruno. "Ameaçou ou não ameaçou? Fala agora", disse Oliveira para o goleiro. "Nem te conheço, parceiro", retrucou o goleiro.

Ontem o julgamento teve uma nova reviravolta na defesa. Desta vez, foi o próprio jogador que resolveu destituir seu advogado, Rui Caldas Pimenta. O ato levou ao desmembramento do processo em relação à ex-mulher do jogador, Dayanne Rodrigues do Carmo, porque ela também é representada por Francisco Simim, que ficou à frente do caso do atleta. Anteontem, o processo já havia sido desmembrado em relação ao Bola, depois que seus advogados decidiram abandonar o plenário.

E a defesa sofreu outro golpe no encerramento dos trabalhos, quando o promotor Henry Vasconcelos pediu que seis testemunhas arroladas pelos réus fossem dispensadas porque haviam sido flagradas em hotel com celulares, quebrando a incomunicabilidade imposta por lei. Até o meio da noite, porém, os advogados ainda aguardavam a chegada do boletim de ocorrência para verificar quais testemunhas ficarão impedidas. Uma delas é Elenilson Vitor da Silva, caseiro do sítio de Bruno, que responde em liberdade por envolvimento no crime e deverá ser julgado no ano que vem. "Precisamos saber quem são para avaliar se prejudica a defesa", disse Tiago Lenoir, nomeado ontem para compor a defesa de Bruno.

A juíza Marixa Fabiane Lopes informou que a decisão será anunciada apenas hoje, quando começam a ser ouvidas as testemunhas de defesa.

Polêmica. Professor de Direito, ele assumiu o caso em meio a um certo constrangimento causado por comentários feitos no microblog Twitter anteontem. "Bruno e Macarrão deveriam confessar o crime de homicídio e negar a ocultação de cadáver e sequestro. Daí (Bruno) pega 6 anos e volta a jogar bola", afirmou. Assim como o amigo, Macarrão é processado por sequestro, cárcere privado, assassinato e ocultação do cadáver de Eliza. Lenoir ainda criticou os colegas. "A defesa vai continuar falando asneira e o Bruno será condenado a mais de 38 anos."

Ontem, ele declarou que os comentários foram feitos "hipoteticamente", antes de assumir o caso, "como se fosse de qualquer um da população, de forma ampla". E adiantou que a defesa manterá a mesma linha traçada por Rui Pimenta, de que não houve crime, já que o corpo de Eliza, desaparecida desde junho de 2010, nunca foi encontrado. Já Simim admitiu que a estratégia de Bruno ao destituir Pimenta era a mesma dos advogados de Bola. "A vontade dele (Bruno) era desmembrar (o processo)" disse. "Ele pretendia protelar o próprio julgamento e, eventualmente, colher algum benefício do julgamento de Macarrão, caso ele venha a ser absolvido", avaliou Henry Vasconcelos.

Ontem, foram encerrados os depoimentos das testemunhas de acusação e a expectativa inicial de duração do julgamento, de duas a três semanas, deve ser reduzida pelos desmembramentos e pela exclusão das testemunhas flagradas com celulares.

Ao longo do dia, também depôs o bacharel em Direito João Batista Alves Guimarães. Ele presenciou o depoimento de Clayton da Silva Gonçalves, primeira testemunha ouvida no julgamento, mas que havia alegado ter sofrido "pressão psicológica". Guimarães desmentiu a testemunha, amiga de infância de Bruno e Macarrão.

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