Caso Bruno: sinais de sangue em sítio

Polícia também diz ter achado vestígios no carro do goleiro e afirma que última ligação do celular de Eliza foi feita da região no dia 9

Eduardo Kattah, Thiago Dantas, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

Condomínio fechado. Delegada acredita que Eliza tenha sido espancada no imóvel na região metropolitana de Belo Horizonte      

 

BELO HORIZONTE

Vestígios de sangue foram achados no sítio e em um dos carros do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, de 25 anos. A Polícia Civil de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, acredita que isso é mais um indício de que o jogador está envolvido no desaparecimento da ex-amante, a estudante Eliza Samudio, de 25 anos. A jovem movia um processo na Justiça para que o atleta reconhecesse que é pai do filho dela, de 4 meses.

As amostras de sangue foram enviadas para o Instituto de Criminalística (IC) de Belo Horizonte, que deve confrontar o material com o DNA de sangue recolhido do pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio. O teste não tem prazo para ficar pronto, segundo a polícia. Foi solicitada ainda a quebra do sigilo telefônico da jovem. O último contato via celular, com uma amiga, foi feito no dia 9 e suspeita-se de que tenha sido realizado do sítio do atleta. Bruno esteve no local entre os dias 5 e 10 deste mês.

A polícia trabalha com a hipótese de que Eliza teria sido assassinada no imóvel do goleiro e de que o crime tenha sido premeditado. A delegada Alessandra Wilke, de Contagem, acredita que ela foi levada para o sítio no dia 4, onde teria sido espancada por três homens. Uma denúncia anônima revelou que a estudante foi atacada até a morte por Bruno e dois amigos.

A advogada Anne Faraco, representante de Eliza na ação de reconhecimento de paternidade, disse que a cliente havia ficado de conseguir uma proposta formal, "por escrito", de um acordo com o goleiro Bruno, quando deixou de procurá-la, no dia 4. Sua cliente já teria aceitado uma pensão de R$ 3,5 mil.

Caminhonete. Manchas vermelhas também foram encontradas em uma caminhonete Range Rover de propriedade de Bruno, apreendida no dia 8 com documentação irregular, numa blitz da PM. O veículo era dirigido por Cleyton da Silva Gonçalves, que ontem prestou depoimento à polícia em Contagem. Gonçalves alega não ter ligação com o caso.

Anteontem, após nove horas de buscas no sítio, foram recolhidas uma fralda e uma passagem aérea, além de roupas de mulher. Ontem, foram feitas novas buscas e surgiram especulações de que Bruno poderia prestar depoimento, o que não se confirmou. O advogado Monclar Gama, da equipe de Michel Asseff - que representa o goleiro -, disse que Bruno está à disposição. "É só ligar que colocamos ele no avião e vamos para Contagem." / COLABOROU ELDER OGLIARI

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