Caso Bruno: juíza aceita denúncia e amante é presa

Fernanda Gomes de Castro era a única acusada pelo desaparecimento de Eliza Samudio que estava em liberdade

Marcelo Portela, especial para o Estado e Eduardo Kattah, de Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2010 | 00h00

A amante do goleiro Bruno Fernandes, Fernanda Gomes de Castro, foi presa ontem em Ribeirão das Neves, na casa do pai de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito do jogador. A juíza Marixa Fabiane Lopes, do 1.º Tribunal do Júri do Fórum de Contagem, acatou ontem denúncia do Ministério Público Estadual contra Bruno e outros oito acusados pelo desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do atleta.

A juíza decretou ontem a prisão preventiva dos suspeitos, inclusive de Fernanda, única que estava em liberdade. Os outros acusados, que passaram oficialmente à condição de réus com a decisão de Marixa, cumpriam havia cerca de um mês prisão temporária, que venceria à zero hora de hoje. "Acreditamos que a liberdade agora pode prejudicar a instrução criminal", afirmou Gustavo Fantini, promotor que assinou a denúncia apresentada à Justiça com os colegas Luciano França da Silveira Júnior e André Luís Garcia de Pinho.

O corpo de Eliza ainda não foi encontrado, mas a polícia não tem dúvidas de que ela foi assassinada a mando de Bruno. O MP denunciou o goleiro e sete pessoas - incluindo Macarrão, Fernanda e Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, mulher de Bruno - por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menores, sequestro e cárcere privado. O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado pela polícia como responsável pela execução de Eliza, foi denunciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. J., primo do atleta de 17 anos, teve representação encaminhada à Justiça, com pedido de internação por até três anos, mas ainda não há decisão.

"Ardilosa trama". A juíza, ao aceitar a denúncia, avaliou que há "comprovação indireta da materialidade, por meio de prova técnica, oral e documental e encontram-se suficientemente evidenciados indícios de autoria".

Eliza está desaparecida desde 10 de junho, quando teria sido morta. Conforme a acusação, ela foi sequestrada em 4 de junho por Macarrão e pelo menor em um hotel no Rio e mantida em cárcere privado na casa do goleiro. Em seguida, foi levada para o sítio do goleiro em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte, onde também foi mantida presa até ser levada à casa de Bola para ser executada.

O motivo do crime seria a cobrança que Eliza fazia para que Bruno reconhecesse a paternidade de seu bebê. "Com o fracasso dos recursos de intimidação, Bruno e os comparsas colocaram em andamento a ardilosa trama de sequestro, extermínio e ocultação do cadáver da jovem", afirmaram os promotores na denúncia.

O fato de que o corpo de Eliza ainda não foi encontrado será explorado pela defesa.

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