Caso Brayan: menor está sob proteção

Adolescente suspeito do assassinato do menino boliviano foi transferido de unidade da Fundação Casa após morte de outros acusados

LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2013 | 02h12

O último suspeito ainda vivo de assassinar o boliviano Brayan Capcha, de 5 anos, está sob forte proteção da Fundação Casa. O adolescente de 17 anos já foi transferido pelo menos duas vezes, segundo policiais. Foram confirmadas quatro mortes de envolvidos no crime - a última delas foi a de Diego Freitas Campos, de 20 anos, acusado de ser o autor do disparo que matou o menino em uma tentativa de assalto, em São Mateus, na zona leste de São Paulo, no final de junho.

A polícia investiga se os assassinatos foram encomendados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Agentes da Fundação Casa temem que o adolescente seja alvo de internos do chamado PCC Mirim, ala jovem da organização criminosa. O esquema de proteção foi feito a pedido do Ministério Público Estadual.

Segundo policiais, a primeira transferência do adolescente foi quando dois suspeitos morreram no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Santo André. Paulo Ricardo Martins, de 18 anos, e Felipe dos Santos Lima, de 19, foram encontrados mortos após supostamente ingerirem uma bebida chamada "gatorade", uma mistura de álcool, cocaína, creolina e Viagra, que mata por overdose.

A mãe do suspeito está apreensiva. Ela vive em São Mateus, perto de onde morava a família de bolivianos. "Rezo dia e noite, ele chora dia e noite. Estou assustada", disse.

Segundo a mãe, o adolescente conheceu os amigos em um lava-rápido. "Era uma amizade que eu não queria. Eu falava: esse menino (Diego) é maldoso". A mãe conta que o rapaz foi procurado por Diego várias vezes. "Meu filho falou que, quando chegou no meio do caminho (da casa de Brayan), deu um toque no coração dele para voltar. Ele ficou com medo de o Diego fazer alguma coisa com eles depois." A mãe visitou o filho pela última vez há 20 dias e disse não saber das transferências.

A assessoria de imprensa da Fundação Casa afirmou, em nota, que o adolescente está "seguro em um centro socioeducativo, cumprindo sua medida".

Diego, que seria o líder do grupo que invadiu a casa de Brayan, foi morto a tiros em 6 de julho e encontrado por moradores do Jardim Corisco, na zona norte. Seu corpo estava próximo ao de Wesley Soares Pedroso, de 19 anos, também assassinado por arma de fogo.

Brayan foi morto no dia 28 de junho no colo da mãe com um tiro na cabeça, enquanto chorava. Ele chegou a entregar moedas aos bandidos.

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