Caso Amarildo: testemunha teria visto homem pedir ajuda

Advogado procura pessoa que presenciou rapaz parecido com o pedreiro sendo torturado por policiais militares

Marcelo Gomes / Rio, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2013 | 02h12

Uma testemunha teria visto um homem pardo, trajando apenas short, sendo torturado dentro dos limites da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, em 14 de julho, dia em que o pedreiro Amarildo Dias de Souza, de 43 anos, desapareceu. Essa pessoa, que teria feito o relato a moradores da favela, está sendo procurada pelo advogado João Tancredo, que representa a família de Amarildo.

Dias após o sumiço, moradores fizeram um protesto cobrando explicações. Depois, policiais da UPP, acompanhados por familiares, estiveram em uma área de matagal à procura de vestígios, mas não encontraram nada. Um líder comunitário que pediu para não ser identificado disse ontem ao Estado ter ouvido de uma moradora que, horas após essa busca, viu policiais circulando pela mata transportando sacos pretos.

Tancredo vai ajuizar nos próximos dias uma ação de declaração de morte presumida, utilizada quando não há corpo. Segundo ele, a lei estipula prazo de cinco anos para se declarar a morte presumida de alguém. Assim que a declaração for emitida, a família vai ingressar com uma ação de indenização contra o Estado.

Depoimentos. PMs da UPP prestaram depoimento ontem na Divisão de Homicídios. Sete PMs da unidade já haviam sido ouvidos pela 15.ª DP (Gávea), que deu início às investigações. O Estado teve acesso ao relatório em que o delegado Orlando Zaccone, da 15.ª DP, faz um balanço das investigações. Em depoimento, o soldado Douglas Machado disse que Amarildo foi levado para averiguação porque se parecia com o traficante conhecido por Guinho. Após ser ouvido, ele teria saído andando da delegacia.

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