'Caseiro mentiu', diz advogado da família de menina morta por moto aquática

José Beraldo afirma que há contradição entre depoimentos de caseiro; segunda audiência do caso foi nesta quinta-feira

Gheisa Lessa, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2012 | 12h31

SÃO PAULO - A segunda audiência do processo que apura o atropelamento e morte da menina Grazielly, de 3 anos, por uma moto aquática em Bertioga, litoral de São Paulo, em 18 de fevereiro, terminou com contradições. Durante a sessão, realizada na tarde da última quinta-feira, 30, o caseiro Erivaldo Francisco de Moura foi ouvido e acabou acusado de falso testemunho após três horas de depoimento.

De acordo com o juiz, durante a sessão, o advogado da família de Grazielly, José Beraldo, entendeu que Erivaldo mentiu. Para Beraldo, o caseiro afirmou, nos primeiros depoimentos, que não pilotava a moto aquática por ser cardíaco. Já durante a sessão de ontem, ele teria dito que pilotava o equipamento semanalmente. Beraldo ainda aponta que o caseiro negou ter colocado o equipamento no mar, ação que os dois menores - acusados de estarem no comando do veículo - não poderiam ter concluído sozinhos, de acordo com o processo.

O juiz Jacob explica que o advogado da família pode solicitar à delegacia que investiga o caso a abertura de um inquérito sobre o crime de falso testemunho, porém só depois de apontar quais foram as afirmações falsas.

O advogado que defende o proprietário da moto aquática, Francisco Assis Henrique Neto Rocha, confirma que a defesa da família pediu cópias do documento e que chegou a apontar falhas no depoimento do caseiro. Mas, nega que houve falso testemunho.

"Foram cinco páginas de depoimento, o Erivaldo falou durante três horas e detalhou todo o ocorrido na data, o juiz entendeu que o depoimento foi suficiente para o processo. Tudo ficou esclarecido", afirma Assis.

A terceira audiência está marcada para o próximo dia 11 de outubro. Nela, um dos peritos que avaliaram a moto aquática após o acidente deve ser ouvido como testemunha.

A primeira audiência do caso aconteceu no último dia 22 de agosto e contou com o depoimento da mãe de Grazielly, Cirleide Rodrigues Lamês.

A garota foi atingida por uma moto aquática desgovernada quando brincava na praia de Guaratuba, num sábado de Carnaval - era a primeira vez que ela visitava uma praia. Segundo testemunhas, um adolescente de 13 anos conduzia o equipamento quando perdeu o controle do veículo. Ele e outro menor que o acompanhava na garupa poderão responder a uma medida socioeducativa.

Após perícia do Instituto de Criminalística, a polícia indiciou por homicídio culposo (sem intenção de matar) o dono do equipamento, o padrinho do adolescente (que deu a partida), o caseiro da residência (que teria ajudado o jovem a levar o veículo até a praia), o dono da marina onde a moto aquática estava abrigada e um mecânico.

A manutenção incorreta no equipamento teria causado uma aceleração súbita antes de o veículo atingir Grazielly, já sem ninguém na condução.

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