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Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Casas térreas do Burgo Paulista

Bairro da zona leste, vazio e barato, teve boom nos anos 80

Edison Veiga e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Entre uma bem-humorada troça e outra, o taxista aposentado Octavio Duarte, de 73 anos, conta sua história, que na verdade é a história de quase todos os seus vizinhos: nos anos 1980, terreno vazio (e barato) não faltava em Burgo Paulista, pequeno bairro vizinho a Artur Alvim, na zona leste paulistana. Por isso, a Rua Antonio Fortunato, que cruza a região, é um exemplo em que praticamente todos os imóveis foram erguidos nessa década. “Quando construí, havia muito lote vazio”, conta o aposentado. “Quer dizer, quando construí, não; quando o pedreiro construiu”, brinca. 

De 1982 para cá, sua residência foi onde terminaram de crescer os nove filhos. Então vieram os netos – 20. Agora, curte os quatro bisnetos. “A família toda se diverte aqui. É tanta gente que nem cabe na foto”, avisa. 

Português de Trás-os-Montes, o comerciante Emídio Augusto Pires, de 81 anos, tem a quitanda na mesma Rua Antonio Fortunato – e a casa em uma travessa a dois quarteirões dali. Depois de viver em Angola por 23 anos, veio ao Brasil como turista no fim dos anos 1970 e não quis voltar mais. Trouxe mulher – portuguesa – e dois filhos – angolanos. A família aumentou na zona leste: agora são quatro netos. Todos moram no mesmo bairro. 

Até ter seu próprio comércio, Pires – que era motorista em Angola – trabalhou como manobrista e, depois, feirante. “Na época, vim para esta rua porque era onde podia pagar o terreno”, conta ele. “Depois, não quis sair mais: moro e trabalho aqui, venho e volto a pé, consigo até almoçar em casa. Não tenho escolha, mas posso dizer que gosto de morar aqui.”

 

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