Casas reclamam de exagero dos bombeiros

Dono de boate diz que verniz da decoração foi alvo de fiscalização; empresários se queixam de demora para conseguir regularização

O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2013 | 02h04

As casas apontadas como irregulares pelo Corpo de Bombeiros reclamam da fiscalização mais intensa na semana da tragédia em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e da demora em conseguir uma nova vistoria para renovar a documentação vencida.

"Os bombeiros pediram até laudo técnico do verniz que reveste o bambu da decoração. Vamos fazer, mas precisamos de mais 10 ou 15 dias para nos adaptar", diz Fernando Ruiz, dono da Villa Bisutti, casa de festas no Itaim-Bib, na zona sul. "Infelizmente, estão pedindo tudo isso porque houve a tragédia."

O advogado do Carioca Club, em Pinheiros, na zona oeste, afirma que a casa foi parar na lista por causa de uma luz queimada. "Nós temos vistoria em dia. Dizer que há uma pendência, tudo bem, mas não estamos irregulares", diz Rogério Leonetti.

Algumas casas reconhecem que não têm o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), como a Comedians, na Rua Augusta, na região central, que tem como sócios os humorista Danilo Gentili e Rafinha Bastos. "A vistoria realizada pelos bombeiros nesta semana não apontou problemas relacionados à segurança", informou a assessoria de imprensa do local.

A Inferno Club, também na Rua Augusta, alegou, por meio de nota que não foi visitada. "Todas as medidas para tirar o AVCB já foram tomadas e estamos apenas aguardando a inspeção dos bombeiros para que a situação seja regularizada."

Fora da rota das casas noturnas, os Clubes Atlético Ypiranga e o do Professorado Paulista também não têm AVCB, mas afirmam que estão fazendo as reformas necessárias para obtê-lo.

Muitos locais alegam que foram pegos de surpresa. É o caso do Zanzibar, em Santana, na zona norte. "Os bombeiros vieram aqui na quarta-feira e eu acompanhei a visita. Eles viram que o auto de vistoria afixado na parede estava vencido. Mas eu tenho um válido até 17 de maio de 2013, só que estava na minha gaveta. Mostrei para eles. Não estou irregular", diz José Itamar de Sena, dono do bar. Nos demais locais que constam na lista dos bombeiros como irregulares, os responsáveis não foram localizados pelo Estado para comentar as falhas apontadas.

Rapidez. O Corpo de Bombeiros rebate as críticas sobre demora e afirma que todos os pedidos de fiscalização para emissão do AVCB são atendidos em até cinco dias. "É o segundo principal atendimento (da corporação). Por ano, são feitos 176 mil atendimentos", afirma o capitão Marcos Palumbo.

Na capital, a Divisão de Atividades Técnicas dos bombeiros tem 12 agentes, que trabalham no Batalhão da Praça da Sé. Eles atendem a 40 pedidos por dia de vistoria para a emissão do primeiro AVCB ou renovação de autos que estão para vencer.

O tenente Nelson Duarte, oficial do departamento, diz que as falhas que mais trazem perigo aos clientes são nos sistemas de detecção de fumaça, luzes de emergência, alarmes de incêndio e as portas de emergência. Se há falhas nesses equipamentos, o AVCB não é emitido e a Prefeitura é notificada.

Quando os problemas são menores, como placas de extintores de incêndio fora do campo de visão, os proprietários são orientados a fazer os ajustes - e cabe a eles convocar o Corpo de Bombeiros para nova vistoria.

Em qualquer caso, os bombeiros não fecham as casas com problemas. Essa é uma atribuição exclusiva da Prefeitura. A expectativa da corporação é fiscalizar 230 casas na capital até a próxima sexta-feira.

Os bombeiros, no entanto, não fiscalizam a situação das casas quanto à existência ou não de licenças de funcionamento da Prefeitura. Na manhã de ontem, por exemplo, agentes estiveram na casa Wood's, na Vila Olímpia, zona sul, e atestaram a segurança da casa. O local, entretanto, aguarda desde 2009 a conclusão do processo de licenciamento, segundo o empresário Rafael Setrak, um dos sócios.

Permanente. De acordo com o comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, policiais deverão ser deslocados permanentemente para a fiscalização das condições de segurança das casas noturnas. "Dos 3,6 mil PMs que atuam na Operação Delegada (bico oficial da PM), imaginamos que ao menos mil venham para a noite. Esse contingente vai incluir bombeiros na fiscalização de bares e similares." / ADRIANA FERRAZ, ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, NATALY COSTA e WILLIAM CARDOSO

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