Casas de vítimas do buraco do Metrô foram saqueadas

Um ano depois do acidente em Pinheiros, ladrões arrombam duas casas e furtam eletrodomésticos e jóias

Naiana Oscar, do Jornal da Tarde,

12 de janeiro de 2008 | 21h13

No dia 12 de janeiro de 2007, Maria Rossi, de 79 anos, e Maria do Carmo Criscuolo, de 87 anos, vizinhas há mais de quatro décadas, tiveram que deixar suas casas às pressas. A poucos metros do quintal, uma cratera se abriu nas obras da Linha Amarela do Metrô, em Pinheiros, deixando sete mortos. Neste sábado, 12, dia em que a tragédia completou um ano, as duas famílias receberam mais uma má notícia: as casas, ainda sob interdição, foram saqueadas. Veja também:Parentes das vítimas não vão à missa na Sé Um ano após, famílias não superam a perdaGafes e trapalhadas marcaram tragédia Especial cratera do metrô Segundo os vizinhos, o furto aconteceu há uma semana, mas só neste sábado eles conseguiram entrar em contato com os filhos das moradoras. Os ladrões pularam o muro e arrombaram as portas. Da casa de Maria Rossi, levaram duas televisões, um microondas e jóias. A aposentada está morando com um filho e, como não tinha para onde levar os móveis e eletrodomésticos, manteve a casa praticamente intacta. "Ela não sentia medo, tinha a certeza de que ninguém ia entrar", disse o neto Marcelo Rossi, 42 anos. Na casa de Maria do Carmo, não havia muito o que roubar. Há dois meses, ela se mudou para um imóvel alugado próximo dos filhos, deixando apenas alguns móveis velhos na casa da Rua Capri. Os assaltantes acabaram roubando a fiação. A janela da cozinha foi arrombada e o alçapão estava aberto. "Os vizinhos nos contaram que viram homens no telhado. Eles devem ter subido para tentar invadir outras casas", disse Walkíria Rossi, de 61 anos, filha de Maria do Carmo e também nora de Maria Rossi. Até a noite deste sábado, as duas senhoras não tinham sido avisadas sobre o roubo. "Não sabemos como contar, vai ser mais um golpe", disse Walkíria. "Nem temos coragem de trazê-las aqui. Se elas virem as casas desse jeito, abandonadas, com tanto mato no quintal, vão ficar ainda mais doentes."  Logo depois do acidente do ano passado, Maria do Carmo se mudou para a casa da filha. Em cinco meses, teve dois enfartes seguidos, mas conseguiu se recuperar. Todos os gastos hospitalares foram pagos pelo Consórcio Via Amarela. No final de 2007, Maria do Carmo recebeu ainda R$ 70 mil de indenização e Maria Rossi, R$ 50 mil.  Esse dinheiro, segundo os familiares, é para as moradoras pagarem suas despesas até conseguirem um novo imóvel. "Mas para isso aguardamos o dinheiro que a Prefeitura nos prometeu para a desapropriação", disse Walkíria. No sábado, por volta das 15 horas, horário em que aconteceu a tragédia em 2007, ela e outros vizinhos estavam na frente das casas abandonadas, questionando: "Quem vai se responsabilizar pelo roubo?" A Prefeitura não se manifestou, porque não tinha como ter acesso ao processo das moradoras num sábado. Os familiares pretendiam registrar boletim de ocorrência.

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