Casarão tombado pelo patrimônio pode ser demolido em SP

Restauração do local, em Ribeirão Preto, ficaria muito cara; dono diz ter autorização da prefeitura para demolir

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2008 | 17h25

O casarão Albino Camargo, localizado no centro de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, inaugurado em 1923 no auge da cultura do café, poderá ser demolido nos próximos meses. Só a fachada deverá ser mantida, já que o restante da residência está deteriorado e o restauro ficaria muito caro. Um bar e um estacionamento seriam construídos no local, o que ajudaria a revitalizar a região. O imóvel foi tombado apenas em maio deste ano pela prefeitura e os donos tinham iniciado a demolição na semana passada. O caso foi parar na polícia e o promotor de Patrimônio Cultural, Marcelo Pedroso Goulart, requisitou informações ao Corpo de Bombeiros sobre os incêndios na casa e à prefeitura sobre a demora no tombamento. Roberto Gomes, marido de Maria Lúcia de Camargo Junqueira Reis, a herdeira do casarão, quase foi preso em flagrante por crime contra o patrimônio público na semana passada. Ele alega que tinha autorização da prefeitura para demolir o imóvel, mas o presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural (Conppac), Gilberto Pinhata, informa que esse procedimento ainda deve demorar no mínimo dois meses. A tramitação do projeto deveria demorar pelo menos seis meses, mas Pinhata buscará a documentação na prefeitura para resolver logo a situação. Um grupo técnico do Conppac irá avaliar o projeto e a possível demolição, que está embargada. Pinhata diz que concorda que é difícil restaurar o prédio todo, o que consumiria pelo menos R$ 1 milhão. "Não vejo mais a possibilidade de preservar o resto do casarão", afirmou Pinhata. "Hoje, o restauro seria construir a casa novamente." Para a família dos proprietários, o casarão precisa ser demolido para evitar que se torne ponto de consumo de drogas e freqüentado por andarilhos. Em ruínas, o imóvel, abandonado, sofreu cinco incêndios nos últimos anos, que inclusive contribuíram para a queda do telhado e da laje. Parte da fachada também desabou. O promotor Goulart já tem aberto um inquérito civil, que apurava a demora no tombamento do imóvel. Agora, quer informações detalhadas sobre o caso. Corpo de Bombeiros e prefeitura têm dez dias para enviarem as informações solicitadas. A partir daí, Goulart tomará providências. O casarão, um palacete com doze cômodos, foi construído no início dos anos 1920 pelo advogado e professor universitário Albino Camargo Netto.  Ele ainda foi delegado, jornalista, vereador e deputado estadual. E, como era presidente do diretório local do Partido Democrático, foi indicado prefeito de Ribeirão Preto, em 1930, por um interventor federal. O imóvel foi construído seguindo uma tendência da época, em estilo art decó, com pinturas, vitrais e acabamentos com influências francesas. A família quer se livrar do casarão, que leva lembranças ruins a Maria Lúcia. A mulher de Camargo Neto se suicidou no imóvel.

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