Casamento enxuto, à la Zuckerberg, vira moda

Como o dono do Facebook, noivos investem em cerimônias caseiras e intimistas, de baixo custo

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2012 | 03h07

Casamentos pequenos, celebrados em casa, sem grande pompa, voltaram a fazer parte da agenda de assessoras especializadas em festas. Os mini-weddings, como já são chamados, viraram uma opção descolada, principalmente entre casais jovens preocupados em fazer uma festa que tenha a "cara deles".

E a moda ganhou um adepto de peso no dia 19: o milionário Mark Zuckerberg, dono do Facebook, casou com a namorada de longa data no quintal da casa deles em Palo Alto, na Califórnia, no melhor estilo "simples e chique".

"Os noivos querem celebrações informais, onde possam sentar, beber e dançar com os amigos e familiares, do início ao fim", diz Fernanda Suplicy, do Yes Wedding, um site com serviços e dicas de casamento. "Casar deixou de ser um estresse. Hoje, as noivas curtem a preparação da cerimônia", diz Olga Vieira Pinto, de 59 anos, há 30 no mercado com o Patê Maison Gastronomia, especializado em festas.

Depois de visitar vários salões de festas em igrejas e bufês, a blogueira Jéssica Diniz, de 34 anos, achou que não haveria melhor lugar do que a casa de seu pai para a comemoração. "Não é uma mansão, mas tem um jardim enorme, onde serão espalhadas mesas para receber os convidados." Montar uma festa de casamento em casa, porém, dá trabalho. Espaços criados especialmente para festas têm mais infraestrutura, como vários banheiros e segurança. Jéssica teve de providenciar tudo, até valet. "Só não vai ter jeito o banheiro. A casa tem apenas um lavabo. Paciência."

A publicitária Marina Fridman, de 29 anos, celebrou sua união na casa da avó, em Atibaia, no interior. "Foi lá que minha mãe casou, mas não é só por isso", diz. "A casa representa grande parte da história da minha família." Marina é judia, e o marido, o empresário Gustavo Romiti, de 25 anos, católico. Como não seria possível um casamento religioso, optaram por uma cerimônia informal no bosque na frente da casa.

A publicitária cuidou da decoração, espalhando os móveis antigos da avó, que datam do início do século passado, pelo jardim dos fundos, onde recebeu os convidados. Um grande rádio serviu de mesa para as lembrancinhas, um telefone dourado de gancho foi colocado em uma árvore, e vinis espalhados em cima da bancada dos doces. Ela queria um casamento vintage.

A festa não teve banda. "Pedi para os músicos de um restaurante que costumávamos frequentar durante o namoro tocarem. Era um jazz. Cada detalhe escolhido teve a ver com a nossa história", diz Marina.

Sem vaivém. Todas as noivas concordam que uma das grandes vantagens de casar no quintal de casa é diminuir o número de deslocamentos entre igreja e bufê. Os convidados são poupados da "correria", e a noiva não precisa sair de casa nem para se maquiar e fazer o cabelo. Jéssica convidou as madrinhas para, no dia da cerimônia, se arrumarem juntas na casa do pai. "Vai ser divertido. Espero não ficar bêbada antes do casamento."

Para a publicitária Juliana Carvalho Araújo Puga, de 33 anos, o melhor é, no fim da festa, poder ir direto para o próprio quarto. "No dia seguinte, também foi muito gostoso acordar em casa, com meus pais na sala. E os amigos ainda passaram lá para mais um brinde." Juliana casou na casa de veraneio da família, em Juqueí, litoral norte de São Paulo. "Meus pais compraram o imóvel quando eu tinha 2 anos. Vou para lá todos os fins de semana. Agora a casa guarda as lembranças do meu casamento."

Economia. Outra vantagem do mini-wedding é o custo. "Os noivos não falam, mas oito de cada dez casais querem economizar", diz Cristiane Pileggi, assessora de eventos. "Hoje são eles que pagam a festa, e não mais os pais, como antes." Para montar a comemoração em Atibaia, Marina gastou R$ 50mil. "Organizar a festa em casa não foi o orçamento mais barato, mas foi o melhor preço para sair como eu queria."

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