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Casamento e coração

Dois curiosos estudos divulgados na semana passada mostram como o casamento pode afetar a saúde cardíaca. O primeiro deles sugere que, enquanto o casamento protege o coração, o divórcio aumenta o risco de um enfarte, principalmente entre as mulheres. Já o segundo trabalho mostra que ter mais de uma mulher pode sobrecarregar os homens e aumentar a incidência de problemas do coração.

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2015 | 02h04

A primeira pesquisa, publicada no periódico Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes, divulgada pelo jornal The New York Times, revela que o coração feminino pode ser particularmente sensível ao divórcio. Mais de 15 mil pessoas casadas e separadas, de 45 a 80 anos, foram avaliadas por quase 20 anos. Um terço delas havia se divorciado pelo menos uma vez na vida.

Cerca de 8% dos pesquisados enfrentaram um ataque do coração durante o acompanhamento. Ao analisar e controlar diversas variáveis (obesidade, fumo, raça, etc), os especialistas concluíram que mulheres que se divorciaram uma única vez na vida tinham risco 24% maior de sofrer um enfarte do que aquelas que sempre foram casadas. Entre as que se divorciaram duas vezes, esse risco chegou a ser 77% maior do que para as casadas.

Já entre os homens, o risco de enfarte era 30% maior apenas para os que tinham se divorciado mais de uma vez na vida. Apesar de o divórcio não ser considerado um fator de risco clássico para problemas do coração, os pesquisadores afirmam que é razoável supor que o estresse de uma separação pode afetar a saúde cardíaca.

Como as mulheres nos dias de hoje vivem expostas a pressões semelhantes às enfrentadas pelos homens no que diz respeito a trabalho, obesidade, consumo de cigarros e álcool, além de lidar com questões como educação dos filhos e preocupações domésticas, o divórcio poderia introduzir estresse e sobrecarga adicionais, que as colocariam ainda em maior risco.

Nem sempre mais é melhor. Se, como mostram vários estudos anteriores, estar casado faz bem para o coração dos homens, ter mais de uma mulher pode ter o efeito contrário. Um trabalho realizado pelo Hospital King Faisal, na Arábia Saudita, publicado pelo jornal inglês Daily Mail, sugere que polígamos têm uma chance quase cinco vezes maior de sofrer doenças cardíacas.

Bom lembrar que em muitas regiões do Norte e do Oeste da África, Oriente Médio e Ásia, a poligamia ainda é amplamente aceita. Foram avaliados quase 700 homens, com idade média de 59 anos, que foram atendidos com dores no peito (angina) em hospitais da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes. Quase a metade deles tinha história de diabete, hipertensão arterial e doença coronariana.

Dois terços dos homens tinham uma parceira, mas os demais tinham de duas a quatro mulheres. Os pesquisadores acreditam que ter mais de uma mulher pode trazer pressões adicionais à vida dos homens, que passam a ter de viajar e trabalhar mais, ganhar melhor para sustentar famílias mais complexas e, ainda, precisam aprender a lidar com situações geradoras de estresse em mais de um relacionamento.

Os resultados da pesquisa mostram que homens que praticavam a poligamia tinham um risco 4,6 vezes maior de ter doença nas coronárias do que aqueles que tinham apenas uma mulher. Eles também apresentavam uma chance 3,5 vezes maior de apresentar estreitamento da artéria principal esquerda que irriga o coração.

Apesar dos especialistas afirmarem que esse ainda é um estudo inicial, que precisa de maior aprofundamento e controle, é bom ficar com o radar ligado. Quem imagina que ter mais de uma mulher traz só felicidade pode estar enganado!

É PSIQUIATRA

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