Casal vive em SP após atentado

Economista e publicitário fugiram da Colômbia e agora estão em albergue para imigrantes

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2010 | 00h00

Depois de escapar de um atentado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e atravessar a Colômbia e a Venezuela até chegar ao Brasil, uma colombiana e o marido, um peruano que tem cidadania canadense, estão morando em um albergue para imigrantes em São Paulo.

No dia 14 de setembro, a economista Heidy Castañeda Galan, de 32 anos, e o publicitário Gonzalo Hans Coopers Gross, de 46, que viviam em Barranquilla, na Colômbia, sofreram uma tentativa de assassinato por integrantes das Farc. O pai de Heidy foi morto há sete anos após denunciar ser vítima de extorsão pelos guerrilheiros. No mesmo dia, o casal, a mãe e a irmã de Heidy fugiram para a Venezuela.

Quase um mês depois, em 16 de outubro, o casal entrou no Brasil pela cidade de Tabatinga, no Amazonas. Eles foram escoltados pelas polícia nacional e de fronteira colombiana, a pedido do Ministério Público do país (Fiscallia General de La Nacion), pois corriam risco.

Heidy e Gonzalo foram entregues para os policiais brasileiros da Força Nacional de Segurança Pública. No dia 26, chegaram a São Paulo com o objetivo de pedir ajuda ao Consulado do Canadá para que pudessem seguir para aquele país. Afirmam que não tinham mais dinheiro e que gastaram cerca de US$ 7 mil durante a fuga.

Procuraram o Consulado canadense, onde dizem não terem conseguido ajuda para imigrar para o país. Sem assistência, passaram a morar em um albergue para imigrantes. No local, só tinham direito a pernoitar e ao café da manhã. A partir das 7h30, tinham de deixar o abrigo.

"Ficávamos perambulando pelas ruas sem ter o que fazer e com muita fome", lembra Gonzalo.

Em busca de ajuda, chegaram até a Igreja Anglicana de Santo Amaro, na zona sul. Um reverendo os encaminhou para outro integrante da igreja, o promotor Augusto Rossini, assessor especial da Promotoria Comunitária do Ministério Público Estadual. Ele permitiu que passassem o dia na Promotoria até o horário de voltar para o albergue.

Como forma de agradecimento, o casal passou a desenvolver blogs e outros meios de comunicação para as comunidades que são assistidas pela Promotoria. "Essa atividade está nos ajudando a recuperar um pouco da nossa autoestima", diz Gonzalo.

Procurado, o Consulado do Canadá informou que por causa da Lei de Privacidade do país não poderia comentar processos consulares. A mãe e a irmã de Heidy estão escondidas em outro país.

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