Casal vive de perto duas tragédias da onda de violência em São Paulo

Amigo de dentista queimado no interior paulista e fonoaudióloga do Colégio Sion participam de manifestação pela paz

Bruno Deiro, O Estado de S. Paulo

09 Junho 2013 | 18h20

Quase uma semana depois, o casal Ulisses de Mello e Regiana Coelho ainda tenta se recuperar do baque sofrido na última segunda-feira, dia 3. Logo pela manhã, ela, fonoaudióloga no Colégio Nossa Senhora do Sion, soube da morte de Eduardo Paiva, funcionário da escola que havia sido atingido com um tiro na cabeça momentos antes, durante assalto em Higienópolis. No fim da tarde, veio a notícia da morte de um amigo de infância de Ulisses: era Alexandre Gaddy, dentista que teve 50% do corpo queimado por bandidos em São José dos Campos e não resistira aos ferimentos, após uma semana internado.

Em uma triste coincidência, Ulisses e Regiane estiveram próximos de duas das tragédias urbanas que reuniram quase 500 pessoas para uma manifestação pela paz na manhã deste domingo (9), em São Paulo. “Até tínhamos dúvidas se viríamos ou não. Sinceramente, não acho que o protesto tenha algum efeito prático, mas não se pode deixar de fazê-lo”, diz Regiane.

A manifestação ocorreu em frente ao Colégio Rainha da Paz, na zona oeste da cidade, onde Ulisses e Alexandre haviam sido colegas durante toda a educação básica. Mesmo com a ida do dentista para São José dos Campos, a amizade resistiu. “Os dois tinham a mesma idade (41) e eram como irmãos. Uma vez por mês, combinávamos alguma visita”, lembra Regiane.

No fim de semana anterior ao assalto, Gaddy veio a São Paulo para uma reunião familiar e convidou o casal. O churrasco, na casa da mãe do dentista, serviu como uma espécie de despedida.

Medo. Regiane soube da morte de Eduardo Paiva, que há oito anos trabalhava na área de manutenção do Colégio Sion, pelos alunos. “Eles estavam assustados com os tiros, alguns viram a cena”, lembra ela. “O Eduardo, apesar de não trabalhar diretamente com as crianças, era bastante conhecido na escola e sempre foi muito atencioso com os alunos.”

Ela diz que os crimes mudaram a rotina do casal. “Nossa vida social não é a mesma. Temos recusado convites para sair de casa, e a nossa sensação de insegurança aumentou muito”, afirma a fonoaudióloga.

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