Casal teria matado jovem para levar bebê

Polícia suspeita que dupla sequestrou amiga, de 15 anos, em Bragança; após avô resgatar a criança, mãe teve o corpo esquartejado

RICARDO BRANDT , ESPECIAL PARA O ESTADO , CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2012 | 03h03

A Polícia Civil de Bragança Paulista (SP) procura um casal de São Paulo suspeito de sequestrar e esquartejar uma adolescente para ficar com o filho recém-nascido. Marcelo Pires Woitte, de 32 anos, e Jéssica Thais Capistrano Ferreira, de 20, eram amigos da vítima - Renata Silva Monteiro, de 15. O corpo da jovem foi achado no dia 24 dentro de duas malas, em um lago da cidade do interior paulista.

Uma semana antes da descoberta do corpo, o pai da vítima havia resgatado o neto em Natal (RN) - onde estava sob a guarda da foragida. A polícia suspeita que Jéssica Thais e o amante mataram a jovem para ocultar o sequestro da criança. Na casa dela, o delegado Sandro Montanari Vasconcellos, da Delegacia de Investigações Gerais de Bragança, localizou no computador uma certidão de nascimento falsa do bebê. O registro, em nome de Miguel Capistrano Woitte, filho de Marcelo e Jéssica, data o nascimento em 30 de abril, em Natal.

A polícia apurou que a suspeita teria perdido um bebê em dezembro. "As evidências são de que o motivo desse brutal assassinato foi assegurar a impunidade quanto ao sequestro", afirmou o delegado João Valle. A vítima, que morava em São Paulo, na Brasilândia, desapareceu no dia 14 abril, com o filho de menos de 20 dias. O sumiço foi registrado pelo pai, Raimundo Nonato da Silva, que iniciou uma busca por conta própria.

Silva descobriu que Jéssica Thais havia desaparecido e recebeu informações de que uma amiga dela estaria em Natal, na casa de familiares, com um bebê recém-nascido. O pai da vítima foi até o Rio Grande do Norte e resgatou a criança, no dia 17. A amiga da filha fugiu.

Corpo encontrado. Com o neto recuperado, o pai da jovem prosseguiu as buscas pela filha desaparecida. Mas, no dia 24, moradores observaram uma mala de náilon dentro do Lago do Orfeu, área de caminhada de Bragança. Ali, havia uma cabeça e os membros de uma mulher. Horas depois, em um córrego que desemboca no lago, foi vista outra mala, com o tronco da jovem. "O corpo já estava em decomposição, indicando que estava ali havia aproximadamente uma semana", afirmou o seccional de Bragança, Antônio José Pereira. No Instituto Médico-Legal, foi possível fazer a identificação de Renata e constatou-se que, antes de ser esquartejada, a vítima foi morta por asfixia.

A polícia prossegue nas buscas de Woitte e Jéssica, que já estavam desaparecidos. Nas buscas feitas, além da falsa certidão de nascimento, foram encontradas duas passagens compradas para Foz do Iguaçu - para uma viagem que seria feita no dia 26. "As suspeitas são de que eles planejavam fugir após a localização do corpo da vítima", explica o delegado Vasconcellos.

A polícia ainda investiga se a jovem Renata ficou em cativeiro, em Bragança. Imagens obtidas pela polícia comprovam que Woitte esteve com seu carro na cidade no dia 14 (data do desaparecimento) e no dia 17, quando o avô resgatou em Natal o neto. Após o avô localizar o bebê, Woitte pode ter executado a jovem para ocultar o sequestro.

Versão da acusada. Segundo os depoimentos já recolhidos, Jéssica Thais afirmou para familiares que o bebê era filho de Renata, mas a jovem teria dado a criança para ela criar.

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