Casal Nardoni sai pela primeira vez desde libertação

Alexandre e Anna Carolina seguem para a casa dos pais da madrasta de Isabella, onde estão os filhos menores

Shaonny Takaiama, de O Estado de S. Paulo,

13 de abril de 2008 | 09h36

Pela primeira vez desde que foram libertados, o casal Alexandre Carlos Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá deixou a casa dos pais de Alexandre. Escoltados pela imprensa, eles saíram acompanhados por um homem, que dirigia o veículo, por volta das 9 horas da manhã deste domingo, 13, e seguiram para a casa da família da madrasta da menina, em Guarulhos, onde estão os dois filhos menores do casal.   Veja também: Perícia vai pôr casal na cena do crime Polícia já admite pedir prisão preventiva de casal Outros casos de crianças mortas seguem sem solução Crime muda vida de moradores do Edifício London   Momentos depois, o veículo que levou o casal deixou o local para buscar os pais de Alexandre. As madrugadas na casa dos Nardoni, numa rua pacata no bairro do Tucuruvi, na zona norte, são atípicas. O clima residencial da Rua Marinheiro foi quebrado pela movimentação de equipes de reportagens que fazem plantão no local. Alguns parentes, que não falaram com os repórteres, e amigos da família foram visitar Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá no final da noite de sexta-feira. O clima no sobrado era de tristeza. Alexandre e Anna Carolina perguntaram pelos dois filhos, que acreditam que os pais estão viajando.   Na manhã de sábado, Natália de Souza, amiga de Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, foi até a casa da amiga por volta das 10h45. Estava acompanhada de um casal, que levou sacolas com frutas, produtos de limpeza, caixas de leite e alimentos. Natália, que estava com Cristiane num bar na zona norte na noite em que Isabella foi assassinada, negou que a amiga tenha feito declaração sobre a ligação telefônica recebida. O chamado teria informado o ocorrido com Isabella. "Ela (Cristiane) não falou nada daquilo que estão dizendo." Segundo a polícia, duas testemunhas teriam dito que Cristiane afirmou que Alexandre teria feito uma besteira. O local recebeu a ainda a visita de um rapaz que chegou numa motocicleta.   À noite, Cristiane declarou que Alexandre e Anna Carolina afirmaram estar com saudades dos filhos e de Isabella. Ela disse não saber quando irá depôr.   Apesar de o Tribunal de Justiça ter concedido anteontem a liminar em habeas-corpus para Alexandre e Anna Carolina, a Polícia Civil já fala, pela primeira vez, em pedir a prisão preventiva do pai e da madrasta de Isabella, de 5 anos, que teria sido jogada do 6º andar de prédio na zona norte de São Paulo. "Agora, com o andamento das investigações, se concluirmos a linha de pensamento que temos até o momento será pedida a prisão preventiva dos suspeitos", disse o diretor-geral do Departamento de Polícia Judiciária da capital paulista, Aldo Galiano, à TV Globo.   O promotor Francisco Cembranelli, indicado pelo Ministério Público para acompanhar o caso, já havia afirmado na sexta-feira que existem indícios que ligam o pai e a madrasta aos ferimentos encontrados no corpo da menina de 5 anos. "Há informações que nos permitem vincular o casal aos ferimentos sofridos por Isabella e ao que ocorreu na cena do crime", disse.A delegada-assistente Renata Pontes, do 9º DP, que apura o caso Isabella, ouviu no sábado depoimento de dois casais que são vizinhos ao apartamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina no Edifício London, onde a menina morreu no dia 29 de março. Renata antecipou que deve ouvir neste domingo mais cinco depoimentos de "pessoas próximas à cena do crime".   Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, será ouvida apenas "no momento oportuno", disse a delegada, que descartou que isso ocorra neste domingo. Os depoimentos do pai e da madrasta, que ficaram nove dias na prisão, serão tomados somente após a liberação dos laudos do Instituto de Criminalística (IC) e Instituto Médico-Legal (IML).   (Com Thaís Pinheiro e Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo)

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